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CONDOMÍNIO DE LUXO EM FÁBRICA HISTÓRICA

A empresa imobiliária Imobarcelona Lda terá pago cerca de dois milhões e meio de euros (500 mil contos) pelo imóvel da Fábrica de Curtumes de Valbom, em Gondomar, para o transformar numa zona habitacional de luxo.

17 de setembro de 2004 às 00:00

O ministro Adjunto de Santana Lopes, Henrique Chaves, foi gerente da Imobarcelona e do grupo Sociedade Imobiliária Xaroco, de que aquela empresa faz parte.

A proposta de demolição da Fábrica de Curtumes de Valbom, um edifício com 200 anos de história e muito degradado, foi aprovada na passada semana pela autarquia gondomarense. O imóvel situa-se em zona privilegiada junto ao Rio Douro e o plano de urbanização foi alterado “com a única finalidade de satisfazer o interesse da promotora”, segundo a denúncia de Ricardo Bexiga, líder da concelhia gondomarense do PS.

Ao CM, Ricardo Bexiga acrescentou que o imóvel, além de classificado pelo seu interesse arquitectónico, está na zona abrangida pelo Programa Polis e vai ser demolido para permitir a construção de “um bloco de apartamentos de luxo”.

Os socialistas dizem que os serviços jurídicos da Câmara determinaram em Agosto passado que a demolição é ilegal por violar o plano de urbanização e que “para tornear essa ilegalidade” Valentim Loureiro acabou por propor “um processo simplificado para alterar o plano”, em duas fases em vez de cinco, o que reduz a demora de dois anos para quatro meses. O PS avançou com uma providência cautelar para impedir que a decisão da Câmara produza qualquer efeito e ameaça com uma acção popular para impugnar a alteração do plano de urbanização.

O ministro Henrique Chaves esclareceu que as suas ligações à Imobarcelona decorriam da sua actividade como advogado e que só por dois meses foi gestor, cargo que cessou no dia em que a empresa concretizou o negócio. Por sua vez, o presidente da Câmara de Gondomar, Valentim Loureiro, disse que desconhece se a empresa está ligada ao ministro, que discorda da classificação de interesse público do imóvel e que foi dois meses depois da decisão camarária que entrou o pedido de viabilidade para o loteamento.

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