Frente-a-frente das forças partidárias passou por vários temas e terminou com perguntas leves e risadas.
Os partidos com assento parlamentar discutiram temas desde a justiça à instabilidade política, esta segunda-feira, em debate nas rádios.
O frente-a-frente começou mais uma vez com a polémica da Spinumviva, que esteve na origem da queda do Governo e na realização de eleições legislativas antecipadas. Luís Montenegro, da AD, garantiu que todo o processo relativo à empresa familiar "foi perfeitamente legal e acarretou o afastamento total [do líder da AD] em nome da empresa".
Os restantes partidos demonstraram consenso em relação a esta questão, acusando Montenegro de ser responsável pela instabilidade política. "Estes casos demonstram que Luís Montenegro é uma fonte de instabilidade política", afirmou Pedro Nuno Santos do PS.
Também André Ventura, do Chega, culpou o líder da AD: "Vamos para eleições por causa de Luís Montenegro". Para Rui Tavares, do Livre, "Spinumviva permanece um veículo de influência".
Já Rui Rocha, da Iniciativa Liberal, acusa todos os partidos de responsabilidade pela situação política atual. "Todos eles [os partidos] contribuíram para a instabilidade política", afirmou o líder parlamentar, recordando as moções de censura e confiança e o modo como os partidos atuaram.
O debate seguiu para o tema da Justiça. O PS, AD e Chega concordaram que deve haver uma reforma nos processos penais. "Se queremos mais confiança no sistema, temos de ser rápidos", afirmou Luís Montenegro criticando o prolongamento das investigações até começar o julgamento. "Também acho que os processos não podem durar 10 anos", concordou o líder do PS.
Mariana Mortágua, do BE, defende que "a Justiça não deveria interferir na política" e vice-versa, garantindo que o Bloco de Esquerda respeita a separação de poderes. E Paulo Raimundo, do PCP, corrobora a necessidade de "preservar a autonomia da justiça".
Durante a discussão sobre o modo como cada partido irá garantir a estabilidade política, Luís Montenegro provocou Pedro Nuno Santos, que o interrompia durante o discurso. "Está mesmo nervoso", começou o líder da AD. "Eu bem disse que era tudo maquilhagem e era", comentou Montenegro alegando que o líder do PS andava calmo nos primeiros debates, mas agora interrompe mais.
Rui Rocha criticou a utilização de "bichos-papões" no discurso dos restantes partidos, questionando onde estão as propostas de mudança.
Por sua vez, Paulo Raimundo recorda que o PCP precisa de mais força para impôr o "avanço necessário na vida das pessoas", no âmbito do aumento dos salários e das pensões, entre outros problemas.
A questão do apagão surgiu no debate após uma pergunta sobre a ação do SIRESP. Luís Montenegro reforçou mais uma vez a ideia de que o Governo atuou bem durante o corte elétrico que foi sentido, na semana passada, garantindo que está a decorrer um processo de reestruturação do SIRESP.
No entanto, Pedro Nuno Santos afirma que o SIRESP "é conveniente [ao Governo] porque não fala", criticando a ação do Governo durante crises. Segundo o líder do PS, a atuação do executivo durante o apagão abriu caminho a notícias falsas e a problemas como o açambarcamento de bens nos supermercados.
BE e PCP condenam a falta de autonomia pública para garantir a segurança e as necessidades do País. Mariana Mortágua realçou a fragilidade da segurança portuguesa, dando o exemplo do que a empresa Starlink de Elon Musk fez na Ucrânia, quando desligou as comunicações. A líder bloquista realça que Portugal tem cabos submarinos que pertencem a empresas privadas, como a Google e a Meta, que podem "desligar o botão" quando quiserem.
Também o Chega, a IL, o Livre e o PAN criticaram a resposta do Governo à crise elétrica do dia 28 de abril.
Face ao ataque de todos os partidos, Montenegro garantiu que o País tem capacidade de autonomia para abastecer o sistema elétrico português.
Um conjunto de perguntas rápidas e mais leves no final do debate, sobre companheiros para ir à piscina ou fazer um churrasco, entre outras, gerou alguns risos entre os líderes parlamentares, após duas horas de confronto.
Para terminar, os partidos concordaram sobre a necessidade de regulamentar as redes sociais para proteger as crianças.
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