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Debate quinzenal morno na estreia de Negrão

Na estreia do líder parlamentar do PSD, primeiro-ministro recorda tempos de autarcas.

01 de março de 2018 às 08:57

Foi o primeiro frente a frente entre o novo presidente do bancada parlamentar social-democrata, Fernando Negrão, e o líder do Governo, António Costa.

No debate quinzenal desta quarta-feira sentaram-se na primeira fila do grupo laranja os homens de Rio: além de Negrão, o secretário-geral do PSD, Feliciano Duarte, e os ‘vice’ da bancada, Adão Silva, António Costa da Silva, Emídio Guerreiro, Rubina Berardo e Margarida Mano. Só Leitão Amaro, que também faz parte da direção, foi para a última fila ao lado de Hugo Soares e Luís Montenegro.

Depois das saudações ao novo líder parlamentar por parte do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro, Negrão deixou claro que, apesar de dialogante e "construtivo", o diálogo com o Governo será de oposição. E lançou o primeiro ataque ao Executivo socialista, que não mereceu os aplausos da sua bancada: "Parece o Robin dos Bosques ao contrário, é tirar aos pobres para pôr nos bancos". Em causa a entrada da Santa Casa no capital do Montepio Geral, que António Costa considerou ser, "em tese, uma boa ideia".

O primeiro-ministro argumentou que "só depois do estudo poderá avaliar se é ou não um risco", como avisa Negrão. E anotou o "deslize de estreia" do deputado quando este qualificou a banca de "tóxica". Costa recordou como o anterior executivo de direita havia "escondido o estado [de falência] do sistema financeiro".

Negrão avisou que ao "mínimo sinal de que esta operação não acautele os interesses financeiros da Santa Casa, o PSD usará todos os meios à sua disposição", para investigar o caso, deixando implícita a possibilidade de requerer uma comissão de inquérito.

Foi um combate morno depois das boas-vindas de Costa, em que este recordou os tempos de autarcas em Lisboa: "É um gosto reencontrá-lo, quero saudar a forma como vê estes debates, não como um duelo quinzenal, mas com sentido de diálogo".

Bate-boca entre António Costa e Assunção Cristas

A líder do CDS confrontou o primeiro-ministro com o aumento das dívidas a fornecedores na área da Saúde de "837 milhões de euros no final de 2017 para 951 milhões, em janeiro. O anúncio de que as dívidas seriam regularizadas até ao final do ano tratava-se, afinal, de uma mera intenção, de um sonho".

Costa acusou a deputada de não conseguir "dar um único exemplo de que o País esteja hoje pior do que quando era ministra". "Se der um único exemplo eu dou a mão a palmatória". Cristas contra-atacou: "não vou abdicar de fazer oposição séria e firme ao Governo".

 "O que combinámos não é precário"

Catarina Martins falava das regras que permitem que desempregados de longa duração e jovens à procura do primeiro emprego possam ser contratados a prazo.

"O que combinámos não é precário, é sólido", respondeu o primeiro-ministro. "Temos cumprido e seguramente vamos continuar a cumprir." A líder do BE entendeu que Costa vai aceitar o desafio do BE.

"Acompanha o PCP ou converge com o PSD?"

"Vamos eliminar o banco de horas individual de forma a que estes mecanismos possam ser ajustados setor a setor em função das realidades especificas", respondeu Costa.

"Ficamos a menos de meio caminho com a sua resposta, mas cá estaremos para continuar a lutar", atirou Jerónimo.

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