Assessor de Relações Institucionais da associação salientou que a degradação da qualidade do serviço não está relacionada só com a prestação do motorista, mas também com o relacionamento do consumidor com a plataforma.
A Deco defendeu esta terça-feira, no parlamento, o reforço da proteção do consumidor perante as plataformas de TVDE, nomeadamente quanto ao processo de disponibilização do livro de reclamações na respetiva aplicação, e mais transparência na formação do preço do serviço.
"Há um elemento fundamental que está a faltar em todos os projetos, que é o reforço, neste caso, da proteção do consumidor, sobretudo no seu relacionamento com as plataformas", afirmou Paulo Fonseca, da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco).
O assessor de Relações Institucionais da associação, que falava numa audição na Assembleia da República no âmbito das iniciativas legislativas que alteram o regime do transporte em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE), salientou que a degradação da qualidade do serviço não está relacionada só com a prestação do motorista, mas também com o relacionamento do consumidor com a plataforma.
Para Paulo Fonseca, basta pensar "no sistema de reclamação", que "é completamente opaco" e não se reforça no "diploma, por exemplo, que o livro de reclamações tem de estar disponível nas próprias aplicações, porque há uma interpretação que se faz que basta estar previsto no 'site' da empresa".
"Desafio os próprios senhores deputados a encontrar uma forma de efetuar uma reclamação junto às próprias plataformas. E aqui o legislador nada diz. E, sobretudo, o consumidor não tem forma de interagir com o próprio operador sem que seja através de um 'chatbot', sem qualquer intervenção humana", apontou.
Do seu ponto de vista, "há uma degradação constante da qualidade do próprio serviço e não há uma necessidade de garantir condições mínimas" nos serviços ao consumidor, "sobretudo pela própria plataforma", nem quanto a "regras de transparência" em termos de "informação de preço" ou de outras condições.
Em termos de reclamações relacionadas com o serviço TVDE, Ana Sofia Ferreira, coordenadora do Departamento Jurídico e Económico da Deco, avançou que se referem principalmente com "a degradação da qualidade do serviço", designadamente com "questões relacionadas com higiene e segurança".
Além disso, acrescentou, existem também "reclamações relacionadas com dificuldade na comunicação, por causa da questão da língua portuguesa", com a associação a defender que "deve ser obrigatória", embora os utilizadores possam escolher outro idioma, por a língua portuguesa ser "expectável num serviço prestado em Portugal.
Outras reclamações apresentadas à Deco referem-se a "tempos de espera, cancelamento de serviço, muita dificuldade no reembolso", cobrança "de taxa de espera" sem justificação ou "de valores mesmo quando a viagem não é realizada" e "a dificuldade de reclamar".
"A ausência de livro de reclamações na própria aplicação da plataforma, que é aquela que o consumidor utiliza para contratar o serviço, e efetivamente mesmo quando alguém consegue apresentar a reclamação, a resposta é inexistente, ou 'resposta tipo' que não resolve a situação", frisou Ana Sofia Ferreira, vincando que "há uma grande dificuldade em chegar" às plataformas que, na verdade, são "com quem o consumidor se relaciona".
Após questões dos deputados do Chega, PSD e PS, Paulo Fonseca notou que para a Deco a mobilidade deve ser olhada de "forma integrada e multimodal", em que "o consumidor, independentemente do local em que esteja, tenha acesso a diferentes formas de transporte".
No entanto, observou que o serviço público do táxi, criado para dar resposta à necessidade de deslocação em áreas "muitas vezes onde não existia essa capacidade ou facilidade" tem agregado "um conjunto de características, designadamente a universalidade e a acessibilidade", que impõe uma "regulação económica", o que não acontece com os TVDE.
O representante da Deco considerou ainda que "não há qualquer transparência a nível da formação do preço" do serviço de TVDE, apesar de não defender a sua regulação, e que se opõe "veementemente à possibilidade de os próprios motoristas classificarem" os passageiros, pois isso poderá posteriormente ter "impacto no preço" a pagar pelo serviço.
Em março, mais de sete anos após a entrada em vigor, a revisão da lei que estabelece o regime jurídico dos TVDE passou no parlamento à especialidade, com aprovação dos projetos de PSD e CDS-PP, ficando assim mais perto de sofrer a maior revisão de sempre com a proposta de lei do PSD a ser aquela que traz mais alterações e que pretende atualizar o enquadramento legal à evolução tecnológica e ao crescimento do mercado.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.