Dados revelados ontem pela Autoridade Bancária Europeia
O aumento do risco da dívida pública portuguesa está a enfraquecer a situação financeira dos bancos nacionais. E o Governo já admite que o Estado poderá, como solução de último recurso, salvar os bancos portugueses. Para já, nos próximos testes de stress aos bancos europeus, a dívida soberana de Portugal penalizará mais a Banca do que os as dívidas soberanas grega e irlandesa. E estes países já foram resgatados pelo FMI e União Europeia.
Os dados da Autoridade Bancária Europeia, ontem divulgados a propósito dos próximos testes de stress aos bancos europeus, deixam claro que a Banca nacional que tiver dívida pública portuguesa deverá contar com uma desvalorização desses títulos de 19,8%, uma perda superior à que as dívidas soberanas da Grécia e da Irlanda terão nos seus bancos.
Em reacção ao corte do rating da dívida pública portuguesa, anunciado pela Moddy’s, o Ministério das Finanças garantiu na quarta--feira passada que, "neste contexto [de reforço de capitais da Banca], não está previsto aumento de capital dos bancos através do Orçamento de Estado", mas entre parênteses adianta que "esta será apenas uma solução de último recurso, como exposto no anúncio a 11 de Março das linhas orientadoras da actualização do PEC".
O CM questionou o Ministério das Finanças sobre a possibilidade de o Estado participar no reforço dos capitais da Banca, o que poderá levar à eventual nacionalização de algum banco, mas, até ao fecho desta edição não obteve respostas.
JUROS DESCEM DEVIDO A BCE
O Banco Central Europeu (BCE) interveio ontem, mais uma vez, no mercado secundário para comprar dívida pública portuguesa. Com a medida, a instituição liderada por Jean-Claude Trichet contribuiu para a redução das taxas de juro dos títulos do Tesouro português.
Ontem, as Obrigações do Tesouro (OT) a 5 anos caíram de um valor muito próximo dos 8% para 7,77%, enquanto as OT a 10 anos diminuíram para 7,47%. O BCE não revelou a quantidade de dívida pública adquirida nem os prazos de maturidade desses títulos.
O BPI, numa análise ontemdivulgada, considera que "existe alguma probabilidade de queo valor inscrito no Orçamentode Estado não seja suficiente para acomodar os encargos com os juros previstos este ano". Portugal irá gastar 16 milhões de euros por dia.
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