Na abertura do debate, deputada do Chega comparou os bloqueadores de puberdade por jovens trans à castração química de pedófilos, que o partido também defende, referindo que é usada a mesma substância química.
PSD, Chega e CDS-PP ficaram hoje sozinhos na defesa das suas iniciativas sobre identidade de género, que justificaram com a proteção das crianças, enquanto esquerda e Iniciativa Liberal criticaram as propostas e recusaram regredir em direitos fundamentais.
Na abertura do debate, a deputada Madalena Cordeiro, do Chega, comparou os bloqueadores de puberdade por jovens trans à castração química de pedófilos, que o partido também defende, referindo que é usada a mesma substância química.
Segundo a deputada, o projeto do partido tem como objetivo garantir que mais nenhuma criança é submetida a processos de transição de género, alegando ter conhecimento de vários casos de arrependimento.
Pelo PSD, a deputada Andreia Neto alertou que é preciso "particular responsabilidade e ponderação" quando se legisla sobre matérias que dizem respeito à dignidade humana, alegando que a opção pela autodeterminação de género na lei de 2018 "foi naturalmente uma escolha política".
Defendeu que a proposta do PSD visa "proteger a dignidade das pessoas" e que o Estado deve legislar com prudência quando estão em causa matérias complexas, razões pelas quais o partido defende uma declaração médica no processo de mudança de nome e género no registo civil.
"Não se trata de criar obstáculos, trata-se sim de garantir que decisões com impacto permanente são tomadas com o devido enquadramento, protegendo as próprias pessoas e assegurando a credibilidade do sistema jurídico", disse Andreia Neto.
A linha de argumentação do líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, foi idêntica à do Chega e bastante aplaudida por esta bancada, alegando que "o debate de hoje é sobre violência contra crianças".
A deputada Isabel Moreira, do PS, acusou o PSD de ser cúmplice da "cartilha da extrema-direita" e apelou aos deputados da bancada social-democrata que tenham a coragem "que não faltou a Teresa Leal Coelho [também do PSD], que não aceitou que a disciplinassem em matéria de direitos fundamentais", e votem contra estes diplomas.
"As pessoas trans existem, são amadas, estão diariamente sujeitas a acompanhar uma campanha de ódio como se fossem gente perigosa. Perigosos são os que se colocam ao lado do obscurantismo, contra a ciência, contra a Constituição, o Conselho da Europa e a ONU, o nosso chão comum. A história e as histórias não vos perdoarão", salientou.
Também o Livre fez referência à disciplina de voto na bancada do PSD e apelou aos deputados sociais-democratas para que não "deixem que lhes imponham a lei da rolha, e votem pela liberdade".
Paulo Muacho classificou as iniciativas em debate como "atentado à liberdade" e um "ataque aos direitos humanos", e considerou que as pessoas trans "não precisam que um médico ou deputados lhes digam quem são".
A líder parlamentar do PCP acusou a direita de querer um "perigoso retrocesso", anunciando o voto contra, e defendeu que "é preciso avançar no combate a qualquer discriminação".
Pelo BE, Fabian Figueiredo -- que levou ao debate um projeto que propõe o reforço da lei atual - acusou PSD, Chega e CDS-PP de quererem "retirar direitos" e desta forma "desproteger as crianças trans" e aumentar o seu sofrimento.
A Iniciativa Liberal foi o único partido da direita parlamentar a manifestar-se contra os três projetos apresentados, e disse que o partido não aceita o retrocesso em liberdades individuais.
Marta Patrícia Silva acusou ainda PSD, CDS e Chega de querem transformar "a liberdade individual, um valor fundamental de Estado de direito, num instrumento de combate político".
A deputada única do PAN criticou os proponentes por decidirem "problematizar uma questão que não é um problema" e lamentou que o "PSD tenha perdido a vergonha".
Filipe Sousa, do JPP, também alinhou nas críticas e traçou uma "linha vermelha clara: não pode haver qualquer retrocesso nos direitos humanos".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.