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Estrela cadente do PS e da Banca

Armando Vara passou do balcão de uma agência para a administração da Caixa Geral de Depósitos.

11 de julho de 2015 às 06:00

O mais bondoso observador poderia dizer, a certo momento, que a política foi um intervalo na meteórica ascensão de Armando Vara na Banca. Afinal, o ex- -deputado do PS por Bragança, ex-secretário de Estado e ex- -ministro era funcionário da agência de Mogadouro da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e voltou, em 2001, como diretor, chegando a administrador.

Em 2000, após sair do Governo, por pressão do então Presidente da República, Jorge Sampaio, devido a acusações de irregularidades na Fundação para a Prevenção e Segurança, esteve perto da administração da SAD do Benfica. Tal não sucedeu ao ex-ministro da Juventude e do Desporto, que em 2005 chegou ao conselho de administração da CGD. Sairia em janeiro de 2008, acompanhando o presidente, Carlos Santos Ferreira, na ida para o Millennium BCP, do qual se tornou vice-presidente, não sem antes ser promovido ao escalão máximo de remuneração do banco público.

Vista como a tomada do maior banco privado nacional por figuras ligadas ao PS, a transferência para o BCP deu- -se quando o primeiro-ministro era José Sócrates, de quem no início dos anos 90 Armando Vara fora sócio na Sovenco, empresa de venda de combustíveis. Quando jovem, antes de ser bancário, trabalhou numa oficina de automóveis.

Amigos que nada deixam por dizer, como as escutas mandadas destruir demonstram, os dois aproximaram- -se quando Vara presidia a Federação de Bragança do PS e Sócrates a de Castelo Branco. Chegaram a deputados em 1987, quando nas habilitações o primeiro só tinha o ensino secundário. Frequentou Filosofia, e fez uma pós-graduação em Gestão Empresarial em 2004, um ano antes de se licenciar em Relações Internacionais, na Universidade Independente, a mesma do segundo.

Trocou a Banca pela presidência da filial africana da cimenteira brasileira Camargo Corrêa em 2010, já arguido no processo ‘Face Oculta’. Condenado a cinco anos de prisão efetiva por tráfico de influências, aguarda recurso, mas as decisões tomadas enquanto responsável da CGD estão agora a ser investigadas, no âmbito da Operação Marquês, vincando ainda mais o estatuto de estrela cadente do homem que nasceu há 61 anos em Lagarelhos, Vinhais.

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