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Ex-deputado do PS condenado a 11 anos de prisão

O ex-deputado do PS Carlos Lopes foi condenado a 11 anos de prisão pelos crimes de corrupção, peculato e falsificação de documentos, mas vai recorrer da sentença "absurda", disse esta terça-feira o seu advogado, Magalhães e Silva.

29 de janeiro de 2013 às 20:57

O deputado eleito por Leiria para a legislatura 2005-2009 e chefe de gabinete do último governador civil de Leiria tinha sido absolvido pelos mesmos crimes pelo tribunal de Figueiró dos Vinhos, a 18 de novembro de 2011.

O Ministério Público interpôs recurso desta sentença para a Relação de Coimbra, instância superior que mandou repetir o julgamento na Sertã. "Vamos recorrer. É uma sentença absurda. Mesmo que os factos estivessem comprovados, o que está longe de acontecer, seria uma sentença absurda. Não faz qualquer sentido", disse Magalhães e Silva à agência Lusa um dia após a leitura do acórdão.

O processo remonta a 2005 quando o deputado foi eleito pelo círculo de Leiria e do despacho de acusação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) constavam situações de financiamento partidário ilícito, viciação das contas do município e desvio de fundos da Câmara para a campanha eleitoral autárquica do PS. Em causa estariam verbas inferiores a 24 mil euros.

Carlos Lopes, contactado pela Lusa, considerou a situação "bizarra" e disse ter recebido a sentença com "estupefação total".

"É uma situação, no mínimo, bizarra. O julgamento até correu melhor que o de Figueiró dos Vinhos. Por isso, a estupefação foi total perante a sentença. Nas perícias efetuadas à minha conta bancária não houve nada que imputasse benefícios a meu favor, nem entradas de grandes valores. Aguardo com serenidade o desenrolar do processo, de consciência tranquila, como sempre, porque sei que nada fiz em proveito próprio", explicou.

Carlos Lopes revelou que este julgamento na Sertã teve três sessões, a última das quais na sexta-feira e que, na segunda-feira, já estava a ouvir a leitura do acórdão.

"Fui absolvido num e culpado noutro. Curiosamente, a juíza do coletivo disse na leitura que estava convencida de que não tirei qualquer benefício, vantagem ou aproveitamento pessoal, pelo que não teria sequer de ressarcir o Estado. Fui julgado a primeira vez neste processo e absolvido na totalidade dos crimes, sem qualquer dúvida para o coletivo de juízes de Figueiró dos Vinhos".

Carlos Lopes, contudo, diz ter participado no processo autárquico de 2005, "em contactos para a campanha do PS e angariado alguns desses valores".

"Mas não para o Carlos Lopes e sim para o PS. As pessoas que testemunharam no primeiro julgamento fizeram-no de novo e disseram a mesma coisa. Não houve nenhum dado novo", esclareceu.

O DCIAP acusava o dirigente socialista e então deputado do PS eleito por Leiria de 19 crimes de corrupção passiva e de um crime de tráfico de influências.

Carlos Lopes respondia ainda por dois crimes de peculato em coautoria com outros dois arguidos - Pedro Lopes, seu irmão e ex-vice presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos e designado candidato do PS para as próximas autárquicas, e Luís Silveirinha, funcionário da autarquia.

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