Paulo Gomes demitiu-se após a manifestação das forças de segurança junto ao parlamento.
O PS anunciou este sábado que vai questionar o ministro da Administração Interna sobre a nomeação para um cargo internacional do ex-diretor nacional da PSP, que se demitiu após a manifestação das forças de segurança junto ao parlamento.
O ministro Miguel Macedo nomeou Paulo Valente Gomes para oficial de ligação do ministério da Administração Interna na embaixada portuguesa em Paris, um posto que terá sido criado propositadamente e que tem uma remuneração superior a 12 mil euros mensais, o triplo do salário que o ex-diretor nacional da PSP recebia como tal, avança o ‘DN'.
"Vamos requerer ao Governo esclarecimentos imediatamente, no início desta semana, sobre esta nomeação. É um cargo que não existe e gostaríamos de perceber por que é que não existia até hoje e por que é que passa a existir, em que condições é que essas funções exercidas e o que é que as justifica", afirmou à Lusa o deputado socialista Marcos Perestrello.
O PS vai aproveitar a ida do ministro na próxima terça-feira ao parlamento para o questionar sobre esta matéria.
"Esperamos que o senhor ministro, na primeira ocasião em que vai ao parlamento desde que este episódio se iniciou, não se refugie no formalismo de a audição ser sobre outra matéria, embora seja conexa", disse Marcos Perestrello.
Miguel Macedo será ouvido na terça-feira à tarde na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias sobre a atuação policial junto dos CTT, em Cabo Ruivo, no dia 28 de novembro, a pedido do PCP e do Bloco de Esquerda.
O deputado lembrou que o PS solicitou a ida do ministro à Assembleia da República logo após a manifestação das forças de segurança, mas, acusou, Miguel Macedo "tem-se refugiado num silêncio ensurdecedor".
"A maioria chumbou a ida do ministro ao parlamento, alegando que devíamos aguardar pelas conclusões do relatório da Inspeção Geral da Administração Interna para que o senhor ministro se pronunciasse então sobre esta matéria. A verdade é que essas conclusões não são conhecidas, mas já há desenvolvimentos adicionais, porque o Governo entendeu responsabilizar" o então diretor nacional da PSP pelos acontecimentos, "ao que parece, apenas para se desresponsabilizar a si próprio pela condição política de todo o processo", afirmou o também líder da distrital de Lisboa do PS.
"Numa manifestação desta natureza, não nos passa pela cabeça que o Governo não a acompanhe ao minuto e não saiba exatamente o que é que se está a passar e não discuta com as forças de segurança as decisões que são tomadas, ou que pelo menos não tome delas conhecimento imediatamente", sustentou Marcos Perestrello.
Milhares de profissionais de forças e serviços policiais e de segurança - PSP, GNR, SEF, ASAE, polícia marítima, guardas prisionais, polícia municipal e PJ - manifestaram-se a 21 de novembro em Lisboa e, depois de derrubarem uma barreira policial, conseguiram chegar à entrada principal da Assembleia da República, onde cantaram o hino nacional, tendo depois desmobilizado voluntariamente.
No dia seguinte, o diretor nacional da PSP superintendente Paulo Valente Gomes colocou o seu lugar à disposição.
Paulo Valente Gomes assumiu o cargo de diretor nacional da PSP em fevereiro de 2012, tendo sido o primeiro oficial da escola superior de polícia a chegar ao topo da hierarquia na corporação.
O comandante da Unidade Especial de Polícia (UEP), superintendente Luís Peça Farinha, foi nomeado o novo diretor nacional da PSP.
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