Foi instaurado um inquérito para avaliar os relatórios das autoridades policiais e da Associação de Futebol do Porto.
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A Câmara de Vila Nova de Gaia suspendeu os apoios a dois clubes na sequência de episódios de violência em jogos da formação e vai criar um regulamento municipal de combate a estas situações, anunciou esta quarta-feira a autarquia.
Num comunicado com o título "Câmara de Gaia declara tolerância zero à violência na formação desportiva", a autarquia liderada por Eduardo Vítor Rodrigues avança que solicitou uma reunião à Associação de Futebol do Porto para "abordar esta problemática e procurarem, em conjunto, encontrar soluções".
Esta nota surge depois de no sábado, num jogo entre o Águias Sport Clube e o Clube de Futebol de São Félix da Marinha, a contar para o Campeonato Distrital de Juniores B, 2.ª Divisão, que decorreu no estádio municipal da Lavandeira, se terem registado situações de violência.
A Câmara de Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, descreve que "no final da partida, diversos jogadores, técnicos e dirigentes de ambos os clubes, bem como elementos não identificados que se encontravam no recinto de jogo sem a devida autorização, envolveram-se em graves distúrbios, com múltiplas agressões físicas que levaram à intervenção das forças policiais e a algumas situações de tratamento hospitalar".
Este caso aconteceu no dia em que a autarquia de Gaia tinha reunido com todos os clubes, uma reunião anunciada no dia 04 de fevereiro, altura em que o vereador do Desporto, José Guilherme Aguiar, descreveu outros casos de violência decorridos no fim de semana anterior, desta feita no Avintes-Grijó (em sub-23) que terminou com a vitória do Grijó por 4-0 e no Vila-Canelas (seniores) que o emblema visitante venceu por 3-0.
"É inaceitável que, semana após semana, aconteçam distúrbios em jogos de crianças e jovens. Os recintos desportivos públicos não são ringues de boxe", afirmou Eduardo Vítor Rodrigues, citado na nota camarária desta quarta-feira.
O autarca apontou que "estes incidentes não são o resultado de claques organizadas, mas de pais e agentes desportivos que estão a extremar a sua ação, manchando o nome dos clubes, do concelho e o futuro dos atletas".
"A câmara não pode, de modo algum, tolerar estes distúrbios, ocorridos sobretudo nos equipamentos desportivos municipais, maioritariamente cedidos de forma gratuita aos clubes. A partir de agora a câmara tem tolerância zero para qualquer ato de violência e levará até às últimas consequências todas as ações que levem ao fim desta situação", terminou o presidente.
Assim, na sequência do caso relatado que aconteceu sábado, a autarquia informou esta quarta-feira que decidiu suspender os apoios e a utilização gratuita por este escalão da formação dos dois clubes envolvidos.
A par desta medida, foi instaurado um inquérito para avaliar os relatórios das autoridades policiais e da Associação de Futebol do Porto.
No próximo fim de semana também serão levadas a cabo ações pedagógicas nos equipamentos desportivos do Município e serão distribuídos 'flyers' com dicas para os desportistas e para os pais sobre como agir perante incidentes de violência.
"Educar para o desporto" é o lema do folheto que será distribuído com apelos ao respeito e o 'fair play'.
No documento leem-se apelos aos pais como "respeitar árbitros, treinadores e adversários", "controlar as emoções", "seguir o código de conduta", bem como "ajudar crianças e jovens a terem prazer na prática desportiva".
A Câmara de Gaia informou, ainda, que vai criar uma equipa para elaborar o regulamento municipal de combate à violência na formação desportiva.
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