António Leitão Amaro assegurou que o executivo continuará a não ter parceiros preferenciais nas negociações de diplomas.
O ministro da Presidência classificou esta sexta-feira a moção de censura do Chega ao Governo como "uma coreografia sem consequências" e assegurou que o executivo continuará a não ter parceiros preferenciais nas negociações de diplomas.
"O que fica claro é que esta é uma coreografia que não se destina a obter esclarecimentos e, pelo desfecho previsível, não parece uma coreografia que se destine a ter consequências", afirmou António Leitão Amaro, em conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros.
O ministro foi questionado se todo o Governo está confortável com as sucessivas notícias que envolvem o ministro da Administração Interna -- cuja manutenção no executivo está na base da justificação do Chega para censurar o Governo - tendo respondido que o tema "não foi discutido no Conselho de Ministros".
"Em particular, sobre o ministro da Administração Interna, relativamente ao qual incidiram em particular algumas das vossas questões, o primeiro-ministro já se pronunciou sobre isso muito recentemente e não há nada que eu, em particular no fim e no contexto de uma conferida imprensa sobre o Conselho de Ministros, vá ou deva acrescentar", disse.
Leitão Amaro afirmou que o Governo não irá distrair-se com esta moção de censura e manterá o foco "nas soluções dos problemas dos portugueses.
"O nosso foco é trabalhar. Coreografias sem consequência, que não contribuem para soluções, que não contribuem para esclarecimentos, coreografias políticas que são apenas isso ficam com quem as propõe. Nós não nos distraímos, estamos focados no nosso objetivo, muito atentos ao que acontece, muito preocupados em melhorar a vida dos portugueses", disse.
Questionado se esta moção do Chega terá consequências na negociação de diplomas como o Orçamento do Estado, respondeu negativamente, reiterando que o executivo PSD/CDS-PP "não tem parceiros preferenciais".
"A nossa resposta foi sempre a mesma e continuará a ser sempre a mesma: não há parceiros preferenciais, nós reconhecemos e aceitamos a pluralidade parlamentar e a pluralidade de forças e de pesos políticos que os portugueses escolheram", disse.
Ainda assim, admitiu que há "julgamentos políticos que se fazem sobre cada tomada de posição".
Quanto ao início das negociações do próximo Orçamento, reiterou apenas, tal como disse na quinta-feira o primeiro-ministro, que estará "para breve".
Leitão Amaro considerou que, caso a moção de censura pudesse ser aprovada, iria "frontalmente contra a vontade dos portugueses, que não querem falar, fazer ou ouvir falar de eleições".
"O que querem, em nosso entendimento, é que o Governo governe e que o Governo resolva os problemas que enfrentam", afirmou, apontando como exemplos algumas das decisões hoje anunciadas, como o processo de negociações finais com os dois candidatos à privatização parcial da TAP ou apoios aos vitivinicultores.
O ministro destacou também a conclusão do PRR com "100% de utilização", a promulgação da lei do retorno de estrangeiros ou a publicação esta sexta-feira, em Diário da República, do Código de Contratos Públicos.
"Respeitamos a democracia, respeitamos todos os instrumentos, mas estamos focados numa coisa - não é no ruído, não é nas coreografias políticas, muito menos nas coreografias políticas sem consequências - o Governo dá prioridade total, total, ao foco para resolver os problemas dos portugueses", afirmou.
A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.
A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se "Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições" e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.
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