Ministro Carlos Abreu Amorim considerou que o parlamento desempenhou "um papel central" na vida democrática nacional
O ministro dos Assuntos Parlamentares defendeu esta sexta-feira que os dados mostram houve uma intensa fiscalização política do Governo na Assembleia da República, mas a oposição criticou a qualidade das respostas e os atrasos do executivo.
Estas posições divergentes foram transmitidas em plenário, durante um debate sobre o relatório de progresso de escrutínio da atividade do primeiro Governo (PSD/CDS) liderado por Luís Montenegro ao longo da sessão legislativa da anterior legislatura.
Na abertura do debate, o ministro Carlos Abreu Amorim considerou que o parlamento desempenhou "um papel central" na vida democrática nacional, "assegurando que as ações do executivo fossem permanentemente avaliadas".
De acordo com os dados apresentados pelo ministro dos Assuntos Parlamentares, no que respeita a perguntas e requerimentos, num total de 1488, o Governo respondeu a 1256, o que corresponde aproximadamente 84,4%.
Já sobre a presença dos membros do Governo no parlamento, de abril de 2024 a junho de 2025, ainda de acordo com os números citados, o Governo "dirigiu-se 985 vezes à casa da democracia, designadamente 554 vezes em plenários e 431 em comissões".
"Só os ministros estiveram presentes 530 vezes, no total, sendo distribuídas em 371 presenças em plenários e 159 em comissões. Estes dados refletem de modo irrefutável o empenho do Governo em estar disponível para o escrutínio democrático", concluiu o ministro dos Assuntos Parlamentares.
A terminar, deixou uma mensagem sobre reformas: "É com este princípio que continuaremos a governar Portugal, com ética, com responsabilidade e com determinação, traduzindo a palavra em ação, mantendo um ímpeto reformista e uma agenda transformadora".
Porém, logo a seguir, o líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, criticou precisamente "a falta de ímpeto reformista" dos executivos de Luís Montenegro, embora também realçando que a sua bancada está disponível para apoiar mudanças.
Pela parte do PSD, António Rodrigues classificou como "significativos" os dados sobre a intensidade da interação do Governo com o parlamento e assinalou que na anterior legislatura houve várias moções de censura, além do período dedicado ao Orçamento do Estado, o que fez diminuir os dias normais de atividade parlamentar. O deputado do CDS João Almeida concordou com a tese do ministro dos Assuntos Parlamentares de que a frequência da sujeição do Governo à fiscalização política compara com as melhores democracias do mundo.
O PS, porém, por intermédio de Pedro Delgado Alves, advertiu que o relatório não apresenta dados do ponto de vista qualitativo, designadamente respostas fora de tempo útil. Sugeriu a possibilidade de se introduzir essa dimensão qualitativa num posterior relatório e até a existência de uma auditoria externa.
As líderes parlamentares do Livre e do PCP, Isabel Mendes Lopes e Paula Santos, respetivamente, criticaram o excessivo recurso do Governo a autorizações legislativas para "contornar" o debate parlamentar e atrasos na regulamentação de diplomas aprovados, casos na área do combate à violência doméstica ou no que respeita ao Fundo de Emergência para a Habitação.
A deputada do PAN, Inês de Sousa Real, apontou atrasos na regulamentação do decreto sobre violência obstétrica. Já o bloquista Fabian Figueiredo indicou situações em que trabalhadores de empresas afetadas pelas recentes tempestades continuam sem ser apoiados.
Pela parte do Chega, a deputada Marta Silva acusou a ministra da Saúde, Ana Paula Rodrigues, de atrasar respostas ao parlamento, enquanto Eduardo Teixeira indicou que o seu partido apresentou 12 requerimentos, mas só obteve resposta em cinco casos. Mas este deputado criticou sobretudo o executivo por estar a atrasar a regulamentação de medidas constantes no Orçamento do Estado para 2025.
Na resposta a estas queixas da oposição, o ministro dos Assuntos Parlamentares salientou que o recurso a autorizações legislativas "é um instrumento constitucional" também constante no Regimento da Assembleia da República.
Carlos Abreu Amorim repudiou depois uma queixa de falta de diálogo político feita pela líder parlamentar do Livre, considerando mesmo que essa crítica "magoa" tal a sua injustiça.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.