Apesar de as reformas que o Governo pretende implementar em vários sectores difíceis, as expectativas dos portugueses sobre a governação do Executivo de José Sócrates não se alteraram no último mês.
Segundo uma sondagem Correio da Manhã/Aximage, 43,5 por cento dos inquiridos considera que o Executivo está a governar pior do que se esperava, mas, face ao mês de Maio. A avaliação registou uma oscilação de 0,8 por cento, sinal de que o Governo socialista está a resistir e que os eleitores podem estar dispostos a dar o benefício de dúvida à sua governação.
O estudo de opinião foi realizado nos dias 2 e 3 de Junho, logo após a aprovação em Conselho de Ministros da mobilidade na Função Pública, uma medida impopular, a que se acrescentam também iniciativas como o anúncio da avaliação dos professores pelos pais, congelamento das carreiras dos professores e alterações na Segurança Social.
A desilusão atinge sobretudo os portugueses que residem no Interior do País (51,9 por cento), as mulheres (44,2 por cento) e os cidadãos com idades compreendidas entre os 45 e os 59 anos (50,4 por cento). Os portugueses mais optimistas representam 14,1 por cento, mais 0,3 por cento do que no mês Maio. A tendência mantém-se no número de inquiridos que estava à espera desta performance do Governo de José Sócrates, que é de 38,3 por cento.
Na distribuição por partidos, o cenário complica-se: nem os socialistas estão satisfeitos (36,8 por cento responde que as suas espectativas foram defraudadas), mas é na CDU que o descontentamento é maior, com 52,9 por cento dos inquiridos a manifestarem a já esperada desilusão. Segue-se o CDS-PP, com 51,3, e o PSD, com 48 por cento.
Se for tido em conta nos votos expressos a abstenção, então verifica-se que mais de um eleitor tradicional socialista em quatro opta por não votar. Um claro sintoma do distanciamento entre o Governo e o seu eleitorado. Apesar disso, 56,5 dos tradicionais votantes no PS optaria por manter o sentido de voto se as eleições legislativas fossem hoje.
PS E PSD MANTÊM DISTÂNCIA
Se as eleições legislativas fossem hoje, o PSD não chegaria aos 32 por cento, ao passo que o PS alcançava 36,8 por cento, longe da maioria absoluta.
O estudo de opinião revela a mesma tendência nos últimos dois meses: uma distância de cinco pontos percentuais entre os dois partidos. Isto depois de Marques Mendes ter ‘arrumado’ a casa e o Governo ter apresentado medidas impopulares. A CDU teria 7,6 por cento, o BE, 5,7 por cento e o CDS-PP passaria a quinta força política, com 3,8 por cento. O BE sobe 1,9 por cento, os comunistas descem 0,6 por cento e os populares caem 0,8, após o seu conclave.
Na avaliação dos líderes partidários, Marques Mendes fica-se pelos oito valores, obtendo menos duas décimas que em Maio. José Sócrates também não tem motivos para sorrir: se em Maio estava à tona de água, com dez valores, agora tem 9,7. A maioria dos líderes está em ligeira queda. Francisco Louçã é o primeiro, com 11,1 valores, e Jerónimo de Sousa, do PCP, o segundo, com 10,8.
SONDAGEM CM: EXPECTATIVAS NO EXECUTIVO DE JOSÉ SÓCRATES EM JUNHO DE 2006
Há sempre uma ideia ou uma expectativa em relação ao que se espera do Governo e aquilo que este faz na prática. Diga-me, em relação ao que esperava, acha que o Governo de José Sócrates está a governar:
Igual ao que esperava: 38,3%
Melhor do que esperava: 14,1%
Pior do que esperava: 43,5%
Sem opinião: 4,1%
INTENÇÃO DE VOTO LESGILATIVO: JUNHO DE 2006
PS: 36,8% (a descer)
PSD: 31,7% (a descer)
CDU: 7,6% (a descer)
CDS-PP: 3,8% (a descer)
BE: 5,7% (a subir)
POPULARIDADE DOS MINISTROS (JUNHO DE 2006 - Notas de 0 a 20)
António Costa - 11,2 (a subir)
Teixeira dos Santos - 10,7 (a descer)
Diogo Freitas do Amaral - 10,6 (a subir)
Mariano Gago - 10,4 ( a descer)
José Vieira da Silva - 10,3 (a descer)
Luís Amado - 10,2 ( a subir)
Isabel Pires de Lima - 10,1 (a subir)
Manuel Pinho - 10,1 (a subir)
Alberto Costa - 10,1 (a subir)
Augusto Santos Silva - 10 (mantém)
Pedro Silva Pereira - 10 (mantém)
Francisco Nunes Correia - 10 (a descer)
Mário Lino - 9,9 (a subir)
Maria de Lurdes Rodrigues - 9,7 (mantém)
Correia de Campos - 9,1 (mantém)
Jaime Silva - 7,6 (a descer)
NOTA: O ministro da Agricultura, Jaime Silva, não descola da negativa como ainda consegue descer quatro décimas. Teixeira dos Santos consegue a proeza de se manter em segundo lugar nas preferências dos portugueses apesar das reformas na Administração Pública que o ministro das Finanças pretende aplicar. António Costa mantém-se na liderança da equipa de José Sócrates.
FICHA TÉCNICA DA SONDAGEM
OBJECTO: Intenção de voto legislativo; Expectativas no Governo; Avaliação dos líderes partidários; Popularidade dos ministros.
UNIVERSO Indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal em lares com telefone fixo.
AMOSTRA Aleatória e estratificada por região, habitat, sexo, idade, instrução e voto legislativo, polietápica e representativa do universo, com 551 entrevistas efectivas (293 a mulheres) Proporcionalidade A proporcionalidade pela variávelestratificação é obtida pela reequilibragem amostral.
TÉCNICA Entrevista telefónica CATI (computer assisted telephone interview).
RESPOSTAS Taxa de resposta de 77,5 por cento. Desvio padrão máximo de 0,021.
REALIZAÇÃO 2 e 3 de Junho de 2006, para o Correio da Manhã, pela Aximage, com a direcção técnica de Jorge Sá.
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