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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Governo quer acabar com cortes de salários nos gabinetes políticos

Foram criados pelo Executivo de José Sócrates em 2010, no âmbito da austeridade sobre os vencimentos.

19 de abril de 2018 às 09:49

O Governo de António Costa quer acabar com os cortes salariais de 5% que há nove anos está a ser aplicado a membros dos gabinetes políticos. 

De acordo com o jornal Público desta quinta-feira, a medida terá efeitos desde janeiro e será progressiva, só desaparecendo na totalidade no fim de 2019. A intenção de acabar com a totalidade dos cortes salariais consta num decreto-lei de execução orçamental, tendo o jornal diário tido acesso ao documento preliminar do mesmo. 

A aplicação faseada do decreto-lei vai de acordo com o pagamento das progressões na carreira dos funcionários públicos, prevista no Orçamento do Estado para 2018. Ou seja, a medida poderá ter retroactivos a janeiro de 2018, altura em que os membros dos gabinetes terão visto devolvidos 25% dos cortes. E mais 25% a partir de 1 de setembro. Até dezembro de 2019, o salário estará pago por inteiro. 

Criada pelo Executivo de José Sócrates em 2010, estes cortes foram aplicados no âmbito de uma série de medidas aplicadas na sequência da austeridade sobre os vencimentos.

Os cortes salariais de 5% visavam o pessoal das Casas Civil e Militar da Presidência da República, dos gabinetes dos membros do Governo, dos gabinetes regionais, dos gabinetes de apoio pessoal dos presidentes e vereadores das câmaras do país. Mas não só: a medida afecta também os salários de membros do gabinete da presidente da Assembleia da República, do gabinete do primeiro-ministro e do secretário-geral do Parlamento.

Contudo, o documento não explicita se deputados e demais titulares de cargos políticos e dos gestores públicos estão incluídos nos visados por este corte salarial. 

Rui Rio concorda com fim dos cortes salariais nos gabinetes dos políticos

O PSD concorda, em princípio, com a pretensão do Governo de por fim aos cortes salariais de 5% nos gabinetes dos políticos, afirmou esta quinta-feira o líder social-democrata, Rui Rio. 

"Se a política do Governo foi acabar com todos os cortes, não tenho nada a opor a que se acabem com todos os cortes mesmo, afirmou Rui Rio, na sede do PSD, em Lisboa, no final de uma reunião com a Ordem dos Enfermeiros, integrada numa série dedicada pelo líder social-democrata aos problemas da saúde. 

O jornal Público noticiou hoje que o Governo fez um decreto preliminar que estabelece que "a redução de vencimento prevista na Lei 47/2010, de 07 de setembro, na sua redação atual, é progressivamente eliminada", até 2019. 

Segundo o jornal, a partir de janeiro, os funcionários dos gabinetes dos membros do Governo (incluindo os governos regionais), de apoio pessoal dos presidentes e dos vereadores das câmaras municipais, presidente da Assembleia da República, do primeiro-ministro e do secretário-geral do Parlamento vão reaver 5% do seu salário que tinha sido cortado em 2010.

Rio disse não ter sido informado previamente pelo Governo sobre esta pretensão.

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