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Governo vai continuar a insistir com Espanha devido à exploração mineira nas proximidades de Vinhais

Ministra deixou a garantia de que Portugal não recebeu qualquer notificação das entidades espanholas sobre a exploração mineira na Gudiña.

16 de maio de 2026 às 18:00

A ministra do Ambiente e Energia disse este sábado que o Governo português vai continuar a insistir com Espanha em relação à exploração mineira na Gudiña, nas proximidades do concelho de Vinhais, no distrito de Bragança.

"Nós [Governo] vamos continuar a insistir com Espanha, porque divido distância que está o projeto, implica que pela legislação, que nós precisamos de ser ouvidos, porque há potenciais impactos devido à distância que se encontra o projeto, como acontece geralmente em caso contrário", vincou Maria da Graça Carvalho.

A governante disse que as consultas, em outros projetos, como os relacionados com a água, têm funcionado bem em Portugal.

"Neste projeto [mineiro], isso ainda não aconteceu e vamos continuar a insistir e perceber o que se passou, e, porque ainda não ainda  aconteceu ", vincou a governante.

As declarações da ministra do Ambiente e Energia foram, feira à margem de uma sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Mogadouro, onde lhe foi entregue a Chave de Ouro desta cidade do distrito de Bragança.

Questionada pelo Partido Solista em 09 de janeiro, a ministra do Ambiente e Energia deixava a garantia de que Portugal não recebeu qualquer notificação das entidades espanholas sobre a exploração mineira na Gudiña, localizada a dois quilómetros do concelho de Vinhais.

A tutela adiantou ainda que o Governo enviou uma carta às autoridades espanholas para saber mais sobre o projeto e salientou que quer fazer parte do processo de avaliação de impacto ambiental.

A exploração mineira de volfrâmio, a céu aberto, está prevista começar este ano e será feita pela Tungsten San Juan, filial galega da Eurobattery Minerals.

O alerta partiu do Movimento UIVO, sediado em Vinhais, que chamou a atenção para a possível contaminação do rio Rabaçal e de vários cursos de água, e ainda do impacto que a exploração poderia ter no Parque Natural de Montesinho (PNM)

Em declarações à Lusa, em outubro, Sara Riso, membro desta organização, adiantou que a exploração fica a "apenas 100 metros de uma linha de água, ribeira de Pente, em Espanha, que vai confluir no rio Rabaçal, que pertence ao concelho de Vinhais", podendo contaminar não só o rio, mas também um local de captação de água para consumo humano, que também está situado neste rio, levando a "um problema de saúde pública".

O movimento já tinha também referido que não foi pedida qualquer declaração de impacte ambiental transfronteiriça, "um procedimento obrigatório ao abrigo da Convenção de Espoo, dada a proximidade desta exploração à fronteira".

Também o município de Vinhais já se tinha mostrado contra a exploração, tendo enviado um documento ao Governo, em setembro, a manifestar-se, segundo avançou à Lusa, em outubro, o presidente da câmara.

Na página oficial da Eurobattery Minerals, uma informação de 11 de agosto indicava que a subsidiária Tungsten San Juan já tinha começado os trabalhos na mina de céu aberto de volfrâmio.

Estes primeiros trabalhos visam a melhoria das infraestruturas, bem como a remoção de resíduos e minério de volfrâmio, estando previsto que a produção comece no quarto trimestre deste ano.

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