No terceiro dia de campanha para o referendo de 11 de Fevereiro, os socialistas foram até à Baixa lisboeta distribuir panfletos e apelar à despenalização do aborto. Maria de Belém não poupou críticas a algumas acções dos defensores do ‘não’ .
Amanhã fria não afastou ontem a comitiva socialista que, de panfletos em punho, percorreu as ruas da Baixa lisboeta para apelar à despenalização do aborto. Quem também não faltou ao terceiro dia de campanha para o referendo foram os defensores do ‘não’, com quem a comitiva, liderada por Maria de Belém, acabou por se cruzar no Chiado ao passar frente à sede do movimento ‘Diz que não’. Prontamente, os dois lados trocaram entre si os folhetos.
Apesar do fair play, a ex-ministra da Saúde não poupou críticas a algumas acções dos movimentos contra a interrupção voluntária da gravidez. “Tem havido uma grande falta de senso em algumas campanhas”, disse ao CM Maria de Belém. Por exemplo? “É absolutamente inaceitável entregarem nos colégios às crianças uma carta que pergunta à mãe ‘como foste capaz de me matar’”. A deputada socialista condenava assim a iniciativa dos jardins-de-infância de Stella Maris, em Setúbal, que colocaram nas mochilas das crianças um folheto intitulado ‘Uma carta à minha mãe’, onde uma criança, que não chegou a nascer, acusa a mãe de a ‘matar’. Maria de Belém criticou ainda o facto de nas campanhas contra o aborto “as mulheres aparecerem como a fonte de todo o pecado”, quando em muitos casos “são ‘empurradas’ pelos maridos para interromper a gravidez”.
Mas este não foi o único acto condenado por Maria de Belém. A ex-ministra da Saúde criticou também os panfletos com imagens chocantes de fetos, que ontem foram distribuídos por alguns seguidores de uma igreja de Wisconsin, nos Estados Unidos.
O presidente do PS-Lisboa, Miguel Coelho, as deputadas Ana Catarina Mendes, Sónia Fertuzinho e Celeste Correia são alguns dos nomes que integraram a comitiva de cerca de vinte militantes. “O objectivo não é convencer, mas informar”, garantiu Maria de Belém, enquanto os restantes elementos entregavam aos transeuntes um panfleto com as razões para votar ‘sim’. O argumento mais sublinhado pelos socialistas é o “aborto clandestino, que só poderá acabar com a vitória do ‘sim’ no referendo de 11 de Fevereiro”.
Na arruada pela Baixa lisboeta, que quase passou despercebida, a comitiva socialista encontrou alguém inesperado: o secretário de Estado da Adminis- tração Interna, Ascenso Simões, que apressadamente cumprimentou Maria de Belém e seguiu caminho. Hoje, a distribuição de panfletos será feita em Benfica.
PRIMEIROS A VOTAR
O vereador da Câmara de Lisboa António Prôa recolheu ontem os votos dos reclusos e doentes no Hospital de São José, relativos ao referendo sobre a despenalização do aborto. No total, foram recolhidos sete votos.
ACABAR COM A PENA
A deputada do BE Helena Pinto lembrou ontem no Parlamento que nunca nenhum deputado contra o aborto apresentou uma proposta para acabar com a pena prevista na lei para a mulher.
FERREIRA LEITE ACUSA SÓCRATES DE "DAR SINAIS CONTRÁRIOS"
A antiga ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite acusou José Sócrates de “dar sinais contrários aos interesses da sociedade portuguesa” ao defender a despenalização do aborto até às dez semanas. Numa sessão de esclarecimento sobre o referendo, anteontem à noite em Lamego, promovida por defensores do ‘não’, Manuela Ferreira Leite considerou que permitir a liberalização do aborto “é um sinal profundamente errado que o poder político dá à sociedade, um sinal de facilitismo, de um desprendimento de valores essenciais” ao seu equilíbrio.
A presidente da mesa do congresso do PSD frisou que José Sócrates, “como cidadão, pode ter as suas opiniões, mas como primeiro-ministro nunca poderia simplesmente defender esta lei sem que, simultaneamente, se comprometesse a executar todas as medidas essenciais para lhe dar seguimen- to”. “Se o ‘sim’ ganhar, é verdadeiramente um cheque em branco”, porque ninguém sabe o que acontecerá de seguida, defendeu.
O CM mostra-lhe os argumentos de figuras públicas a favor e contra a interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas.
“Dou o meu não consciente ao aborto” (D. António Marcelino - Bispo em. de Aveiro)
“É urgente lançar pedradas neste charco, inquinado e pútrido, em que se vai tornando o País. De outro modo, ele estará sempre mais pobre. O meu ‘não’ consciente, como cidadão livre e responsável, à proposta do aborto, é o modo que tenho agora – e não o vou desperdiçar – de denunciar o rumo que o País leva, e de continuar a clamar, enquanto a voz me dure, que, ao arrepio do amor e da vida, que a fé no Deus do amor, Senhor da vida, alimenta e defende, só nos resta uma sociedade anestesiada, a caminhar para uma nova barbárie.”
Iniciativas do ‘não’ a decorrer hoje
Lisboa, Café Nicola – Marcelo Rebelo de Sousa apresenta o livro de João César das Neves: ‘Aborto – Uma abordagem serena’; Sintra, Clínica Sintra Médica – sessão pública; Faro, Escola Superior de Saúde – sessão pública com Maria José Nogueira Pinto
“Mudar uma realidade que envergonha todos”
“Não quero ter a consciência pesada de contribuir para que as mulheres do meu País sejam consideradas e tratadas como criminosas. Não se pode perder a oportunidade de poder mudar uma lei e com ela uma realidade que a todos envergonha, que é a realidade de uma mulher, que por necessidade tem de recorrer à interrupção voluntária da gravidez e é considerada e tratada como uma criminosa. Para que possa existir uma lei que permita conciliar a vontade daqueles que consideram que é crime, e não o fazem, e daqueles que acham que não é.”
Iniciativas do ‘sim’ a decorrer hoje
Lisboa, Fórum Lisboa – concerto com vários artistas pelo ‘sim’, entre eles Pacman; Lisboa, Cinema São Jorge – comício com Francisco Louçã; Lisboa, Casa do Alentejo – Tertúlia ‘Homens pelo sim’; Porto, Bairro do Aleixo – Visita de esclarecimento sobre o aborto
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