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Correio da Manhã

Política

Há um ano Cavaco alertou para "gravidade" do tempo que se vivia

A construção de um compromisso político de coesão nacional num tempo de "gravidade" foi a proposta deixada há um ano pelo Presidente no 5 de Outubro, um dos discursos anuais onde Cavaco Silva aproveita para falar aos portugueses.
4 de Outubro de 2011 às 14:26
 Presidente da República  defendeu "um compromisso político de coesão  nacional"
Presidente da República defendeu 'um compromisso político de coesão nacional' FOTO: d.r.

Esta segunda-feira, quando questionado sobre a situação que o país atravessa, Cavaco Silva remeteu precisamente para a sua intervenção nas comemorações oficiais do 05 de Outubro.

 "Irei falar dentro em breve, no dia 5 de Outubro, faltam pouco mais de 48 horas, portanto vou deixar aquilo que tenho a dizer ao povo português para a intervenção que irei fazer no dia 05 de Outubro", disse aos jornalistas.

No ano passado, quando se comemorou o centenário da República e numa altura de alguma crispação política com PS e PSD a esgrimir argumentos em

torno da negociação do Orçamento do Estado para 2010, o Presidente da República utilizou a sua intervenção para defender "um compromisso político de coesão nacional". 

"Da República centenária poderemos extrair vários ensinamentos. Entre eles, destaca-se um: não é da crispação que nascem as soluções para os problemas.

Impõe-se, pois, que exista um compromisso político de coesão nacional", afirmou.  Um compromisso "sério e firme", através do qual as forças partidárias, sem abandonarem as suas diferentes perspectivas, "compreendam a gravidade do tempo presente e saibam estar à altura da confiança que o povo lhes concedeu", acrescentou, já depois de ter alertado que "o essencial não é a discussão e a luta dos políticos", mas "a vida concreta das pessoas". 

 O apelo a uma ética de responsabilidade dos titulares de cargos públicos foi igualmente feito pelo chefe de Estado, que recordou que a cultura republicana exige bom senso e contenção verbal e não se compadece com "intervenções arrebatadas na praça pública". 

 Em 2009, a intervenção de Cavaco Silva foi muito mais 'contida', com o Presidente da República a falar apenas nos jardins de Belém, já que a proximidade da realização de eleições autárquicas levou à não realização da habitual sessão solene nos Paços do Concelho.   

O apelo à união em torno dos "grandes ideais republicanos" foi a principal mensagem deixada pelo chefe de Estado, que lembrou que esses ideais exigem dos políticos um "esforço acrescido para a concretização da ética republicana e para a transparência na vida pública".    

 Em 2008, a crise dominou a intervenção de Cavaco Silva no 05 de Outubro, com o chefe de Estado a reconhecer que Portugal vivia "tempos difíceis", com "fracos índices de crescimento económico" e a avisar que essa realidade não podia ser iludida pelos agentes políticos.

 "O que é vivido pelos cidadãos não pode ser iludido pelos agentes políticos. Quando a realidade se impõe como uma evidência, não há forma de a contornar", declarou.   

Há três anos, o Presidente da República deixou ainda uma nota sobre as preocupações sociais, advertindo que o dever do Estado é nunca esquecer os mais pobres e fazer uso ponderado dos dinheiros públicos.   

 "O Estado nunca pode esquecer aqueles que têm muito pouco, os mais frágeis e desprotegidos, os que se encontram em situação de pobreza", disse, sublinhando também a necessidade de que "os impostos sejam justos e razoáveis". 

 No ano anterior, a Educação foi o tema dominante da intervenção do Presidente da República, que propôs um "novo olhar sobre a escola", uma escola ligada à comunidade, em que os pais estejam envolvidos de forma mais activa e participante e em que a figura do professor seja prestigiada.  

Nesse mesmo ano, Cavaco Silva retomou ainda o tema da corrupção, que tinha abordado precisamente um ano antes, pedindo aos deputados para aprofundarem "o esforço" para concretizar as iniciativas legislativas para aumentar a eficácia na luta contra a corrupção. 

Em 2006, o apelo tinha também sido alargado aos a todos os portugueses, a quem o chefe de Estado pediu empenho na luta contra a corrupção e na moralização da vida pública, embora reconhecendo que esta é uma tarefa que cabe "em primeira linha" aos titulares de cargos públicos. 

 

 

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