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Hugo Soares fala em "momento de viragem" e avisa que Governo está só "no início da caminhada"

Líder parlamentar do PSD defendeu que o Governo pode estar orgulhoso.

07 de julho de 2026 às 14:45

O líder parlamentar do PSD afirmou esta terça-feira que o país vive "um momento de viragem" e que o Governo está apenas "no início da sua caminhada", criticando o "populismo de direita" do Chega e a "sofreguidão estatizante" do PS.

No encerramento das jornadas parlamentares conjuntas PSD/CDS-PP, em Cascais (distrito de Lisboa), Hugo Soares repetiu a mensagem de que "a moderação e a virtude" estão nas bancadas e no executivo PSD/CDS-PP, e deixou uma mensagem de confiança na duração da legislatura.

"É bom que tenhamos a consciência que estamos neste momento de viragem e que estamos no princípio da nossa caminhada. Faltam três anos para terminar esta legislatura. Falta mais tempo do que aquele que nós já governamos", frisou, numa referência às legislativas previstas apenas para 2029.

Num balanço de dois anos de governação a uma semana do debate parlamentar sobre o estado de nação, Hugo Soares defendeu que o Governo pode estar orgulhoso.

"Nos últimos dois anos, lançámos as bases, não desperdiçamos o que vinha de trás, melhoramos aquilo que estava mal (...) Sabemos que temos que acelerar para acelerar a convergência com a União Europeia, para aumentarmos a nossa competitividade, t para podermos pagar melhores salários", afirmou.

O líder parlamentar e secretário-geral do PSD defendeu que os próximos três anos são tempo para "mostrar aos portugueses" o que será possível fazer nesse período.

"Se até agora fizemos o que fizemos, imaginem o que nós vamos ser capazes de fazer nos próximos três anos com aquilo que já alcançámos", disse.

Em termos de posicionamento político, Hugo Soares insistiu no esforço de diálogo das bancadas que suportam o Governo em cada diploma, comparando-as até a ginastas.

"Às vezes, dou por mim a pensar que nós somos uma espécie de ginastas que procuramos dentro da espargata possível conseguirmos conciliar aquilo que é a aprovação das peças e da legislação com a otimização das soluções políticas", afirmou.

No entanto, defendeu que tal negociação foi sempre sem que a AD tenha cedido nos seus princípios, quer quando chegou a acordo quer quando não chegou, como foi o caso da lei laboral.

"Entre o 8 e o 80, é no meio que está a virtude. É na AD que está a regra mais elementar e que resolve a esmagadora maioria dos problemas, o bom senso. Gostava eu que o PS e o Chega fizessem dela também um princípio da sua atuação política", disse, acusando estes dois partidos de "infantilidade política".

Hugo Soares admitiu que a AD tem feito "das tripas coração" para manter esta postura no parlamento sem ceder nem "ao fundamentalismo ideológico do PS e da esquerda" nem ao "radical populismo do Chega".

Para criticar o partido liderado por André Ventura, Hugo Soares citou uma notícia do jornal Público que dá conta de uma sondagem interna que indicava que a maioria dos portugueses era contra a revisão da lei laboral proposta pelo Governo.

"O político sincero é aquele que se motiva por causas, pela coragem e pela coerência. Quem acha que governar e as decisões se tomam com base em sondagens só está a pensar nas eleições, não está a pensar em populações", disse.

Com base em afirmações feitas num painel das jornadas sobre saúde na segunda-feira, o líder parlamentar do PSD disse que, se a proposta de André Ventura de descer a idade da reforma avançasse, "30% dos médicos" deixariam de trabalhar, dizendo acreditar que o mesmo se passaria na educação.

"Onde é que o deputado André Ventura vai buscar os médicos, os professores e todos os outros servidores públicos essenciais para o cumprimento das funções essenciais do Estado? Chega de demagogia, chega de populismo, chega de mentir às portuguesas e aos portugueses!", apelou.

Por outro lado, considerou que nestas jornadas ficaram também demonstradas "as causas e as consequências do fundamentalismo ideológico" do PS na saúde.

"O fundamentalismo ideológico do pôs mesmo em causa o SNS e a despesa pública a aumentar brutalmente no SNS", acusou.

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