page view

IL, Livre e PCP apontam insuficiências ao plano apresentado pelo Governo

Primeiro-ministro anunciou que o Governo quer aprovar a versão final do PTRR no início de abril e o envelope financeiro só será definido após o período de auscultação nacional.

20 de fevereiro de 2026 às 18:00

IL, Livre e PCP apontaram esta sexta-feira insuficiências às linhas gerais do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência" (PTRR) apresentado pelo Governo para responder ao temporal, nomeadamente a repetição de planos já anunciados.

Em declarações na Assembleia da República, a presidente da IL, Mariana Leitão, começou por criticar "o que não foi dito" pelo primeiro-ministro em relação ao PTRR, como a falta de resposta a quem está sem eletricidade e água e para uma "recuperação económica no imediato" do tecido empresarial afetado pelas tempestades.

Em relação ao que foi anunciado, a líder da IL disse tratar-se de um "plano de intenções" e pediu mais ação em vez de propaganda.

"Continuamos há dois anos a viver de anúncios sem que esses anúncios tenham qualquer consequência, qualquer ação", lamentou, referindo que há uma repetição de propostas como o Plano das Florestas 2050, a reforma da lei de bases da Proteção Civil ou a reforma do SIRESP.

Mariana Leitão considerou ainda "avisado" que o envelope financeiro do PTRR seja conhecido depois do período de auscultação nacional porque, disse, havendo diálogo com vários organismos, fazer o processo ao contrário condicionaria "logo à partida aquilo que poderia ser feito".

Pelo Livre, o porta-voz Rui Tavares lamentou que o Governo "ainda esteja a correr atrás do prejuízo" e a "improvisar", considerando que as linhas gerais apresentadas representaram apenas "uma evolução conceptual".

Ao contrário da líder da IL, o deputado do Livre considerou que o facto de o envelope financeiro não estar fechado "vai levantar grandes problemas no futuro", e que seria preferível uma revisão posterior porque "deixar a economia na incerteza é pior".

Rui Tavares defendeu um forte investimento para estimular a economia nacional e sinalizar que Portugal vai recuperar "tão rápido quanto possível", e alertou ainda que a atual estrutura de missão criada após as intempéries, composta por sete membros, é insuficiente, defendendo a sua evolução para uma entidade do Estado do tipo agência que seja transparente e fiscalizada pelo parlamento.

A líder parlamentar do PCP, Paula Santos, definiu o anúncio do primeiro-ministro como "uma mão cheia de nada" e "uma operação de propaganda".

"Não há uma proposta concreta, não há uma medida concreta, não há uma opção concreta, uma ação concreta. E, na verdade, aquilo que adiantou são propostas e programas que já foram anunciados anteriormente", atirou.

A porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, criticou o Governo por ir "atrás de forças políticas que têm negado a evidência da ciência" sobre as alterações climáticas, mas elogiou o executivo pela abertura para ouvir os contributos dos partidos representados na Assembleia da República.

"Mas não pode ser um mero 'fait-divers', não pode ser apenas um faz de conta", avisou.

O deputado único do BE, Fabian Figueiredo, - que falou momentos depois do coordenador nacional, José Manuel Pureza, em Viseu - considerou que o plano apresentado é, até agora, "um calendário de reuniões" e visou o projeto "A Água que Une", afirmando que tem sido criticado por especialistas na área.

O primeiro-ministro anunciou esta sexta-feira que o Governo quer aprovar a versão final do programa "Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência" (PTRR), no início de abril e o envelope financeiro só será definido após o período de auscultação nacional.

No final da reunião semanal do Conselho de Ministros, Montenegro adiantou que o horizonte de execução do PTRR vai para lá da atual legislatura, estendendo-se até 2034 na vertente de longo prazo, mas com objetivos de curto prazo até final deste ano.

O chefe do executivo anunciou já ter pedido reuniões com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o chefe de Estado eleito, António José Seguro, além dos encontros já marcados com os partidos com assento parlamentar, na próxima quarta-feira.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8