Líder do PS rejeita a ligação entre a imigração e a falta de segurança.
O líder do PS, José Luís Carneiro, defendeu esta terça-feira que Portugal nunca teve as fronteiras abertas, considerando que essa é uma "mentira dita mil vezes" pelo Governo e os seus aliados e desafiando-os para um "debate sério" sobre a imigração.
"Uma mentira dita mil vezes não se torna uma verdade. E aquilo que o Governo procurou fazer, juntamente com aqueles a quem se decidiu aliar, foi repetir mil vezes uma mentira. Nunca o país teve fronteiras abertas e sempre as entradas ocorreram no quadro do respeito pelas responsabilidades das fronteiras nacionais", disse hoje José Luís Carneiro.
Falando no encerramento do colóquio comemorativo dos 30 anos da criação do Alto-Comissário para a Imigração e Minorias Étnicas (ACIME), na sede do PS, em Lisboa, o secretário-geral socialista defendeu que "a reestruturação dos serviços de estrangeiros e fronteiras não significou uma debilitação do controlo e da regulação das entradas no país, significou, pelo contrário, o reforço dos controlos e da regulação das entradas reguladas no país".
O líder socialista alertou os presentes para que não aconteça ao PS "aquilo que aconteceu ao Governo" e, falando em três diferentes processos de integração - aculturação, assimilação integral e síntese cultural - apontou que o Governo foi "assimilado integralmente na sua abordagem à questão das migrações" e "objeto de uma assimilação integral por parte do discurso político da extrema-direita".
"Nós não podemos deixar que isso aconteça a outros setores e a outras expressões da nossa sociedade", vincou, deixando "um convite ao primeiro-ministro e aos líderes de todos os outros partidos para um debate sério, rigoroso, no sistema de segurança interna, quando quiserem discutir seriamente o tema da imigração".
Ao longo do discurso, José Luís Carneiro, que já foi ministro da Administração Interna, repetiu quatro vezes que "uma mentira dita mil vezes não se torna uma verdade" e defendeu que Portugal "cumpriu sempre as regras de controlo e de regulação à luz dos compromissos internacionais, mas procurou fazê-lo com a humanidade".
Carneiro falou numa "avalanche comunicacional que foi construída durante dois, três, quatro anos nas redes sociais com vídeos que foram colocados estrategicamente em determinado tipo de locais e que depois deram lugar a esta instrumentalização".
Considerando que a Europa foi "vítima" desse trabalho "que vai insuflando as perceções e vai criando na opinião pública ideias erradas sobre a própria realidade", o líder do PS rejeitou a ligação entre a imigração e a falta de segurança.
"Em 2003, tivemos mais 45 mil crimes participados do que tivemos em 2023. Nós em 2013 tivemos mais cerca de 5 mil crimes participados que em 2023. Passámos mesmo de 11º lugar em termos de rankings internacionais de segurança para 7º lugar em termos mundiais entre 2015 e 2024", citou.
Já sobre os fluxos de migração irregular, Carneiro assinalou que "não há um que passe por Portugal", pois "passam todos pelo Mediterrâneo Central e pelo Mediterrâneo Oriental e pela Europa do Leste".
"É uma falácia falar dessa entrada irregular", dizendo ainda o líder socialista que 35% da fronteira marítima "não tinha controle quando estava exclusivamente entregue às capacidades dos serviços de estrangeiras e fronteiras".
Falando num "trabalho e um esforço muito forte" que tem de ser feito, José Luís Carneiro defendeu que os responsáveis devem "ser capazes de contrariar esse discurso que foi sendo produzido", procurando "demonstrar que não estando tudo bem, havendo aspetos que devem ser melhorados e corrigidos, o esforço que foi feito foi um esforço que procurou compatibilizar a responsabilidade e a segurança do país com as condições para o acolhimento".
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