Líder socialista considerou que o artigo refere que "o Governo não reforma, não faz" e, em segundo lugar, que o executivo "está a cair para onde não devia cair do ponto de vista do PS", referindo-se ao Chega.
O secretário-geral do PS concordou esta sexta-feira que o artigo de Cavaco Silva assenta mesmo "que nem uma luva" ao Governo, acusando-o de falta de reformas e de estar a "cair para onde não devia", aproximando-se da extrema-direita.
À entrada do 25.º Congresso do PS, que decorre até domingo em Viseu, José Luís Carneiro foi questionado sobre o texto publicado no semanário Expresso pelo ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, que pede a Luís Montenegro "forte determinação e coragem política" para fazer reformas, de forma a permitir o crescimento da economia.
No final do Conselho de Ministros, Luís Montenegro disse que o artigo assentou "que nem uma luva" ao Governo no dia em que ocorreu uma reunião com "decisões de transformação".
"Li com muita atenção [o artigo] e julgo que, de facto, assenta mesmo que nem uma luva no Governo, porque disse duas coisas muito importantes", começou por responder José Luís Carneiro.
O líder socialista considerou que o artigo refere que "o Governo não reforma, não faz" e, em segundo lugar, que o executivo "está a cair para onde não devia cair do ponto de vista do PS", referindo-se ao Chega.
Interrogado sobre se iria mudar o seu estilo de oposição ao Governo, Carneiro respondeu: "Julgo que a oposição está a dar resultados, basta olhar para os indicadores e barómetros".
"Há algo que todos reconhecem: é a minha coragem e tranquilidade, e é com coragem e tranquilidade que vamos servir o país", acrescentou.
No artigo publicado hoje, Cavaco Silva escreve que "sem as reformas necessárias ao crescimento robusto da economia há um sério risco de reforço das forças políticas populistas e de deterioração da qualidade da nossa democracia".
O antigo chefe de Estado reconhece que o executivo PSD/CDS-PP tem revelado "espírito reformista" e acusa a oposição de "ações de desgaste visando impedir a concretização das reformas, a que junta a tentativa de governar o país a partir da Assembleia da República".
Com fortes críticas aos principais partidos da oposição, o ex-Presidente faz, contudo, distinção entre o PS -- que admite que "acabará por perceber" as necessidades do país - e o Chega, que acusa de "enganar e iludir os portugueses".
Cavaco acrescenta ainda, como antigo ministro das Finanças e do Plano de Francisco Sá Carneiro, estar "absolutamente convencido de que ele lutaria com todas as suas forças contra o discurso e as ideias do líder do Chega".
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