Rui Tavares defendeu que o país deve avançar com a regionalização.
O porta-voz do Livre Rui Tavares afirmou esta terça-feira que o seu partido quer ser a força política "mais bem preparada para governar", num discurso no qual defendeu que o país deve avançar com a regionalização.
"O papel do Livre, neste momento, na interação com o país é o de se tornar o partido mais bem preparado para governar o país. Isso não significa ter as respostas certas para tudo, nem ser sabichões. Mas saber fazer as melhores perguntas e aprender com quem falamos", sustentou Rui Tavares, na intervenção de encerramento das jornadas parlamentares do Livre, na Casa do Parlamento, em Lisboa, depois de um primeiro dia em Leiria.
O deputado recordou que o Livre tem um congresso agendado para o próximo mês, em Sintra, reunião magna que irá eleger os novos órgãos nacionais, e que este é o momento de "atualizar a ambição" que o partido tem para o país.
Além de fazer "as perguntas certas", Tavares salientou que o Livre deve dar "as respostas óbvias e evidentes quando o são".
"Uma delas é: porque raio, se no fim de cada pergunta e resposta que nos dão ouvimos que se Portugal tivesse regionalização podíamos fazer isto de forma diferente, os políticos andam há anos a evitar falar de regionalização?", questionou.
Na ótica do deputado, "já está mais do que na altura" de a sociedade portuguesa voltar a debater o tema seriamente e pronunciar-se sobre ele através de um referendo.
"Não temos medo de fazer as perguntas e ouvir as respostas que o povo tiver a dar-nos", acrescentou.
Depois de umas jornadas focadas nos efeitos das intempéries no país, nomeadamente na zona centro, e na preparação de Portugal para este tipo de fenómenos extremos, Rui Tavares insistiu na ideia de que a prevenção não é "um luxo" exclusivo a países estrangeiros.
O responsável voltou a insistir na necessidade de identificar o grau de resistência dos edifícios face a um sismo, considerando que esta é uma "informação que pode salvar vidas" e no combate à pobreza energética.
Rui Tavares defendeu ainda que "nem tudo tem que se resolver com um plano Marshall depois de uma catástrofe", contrapondo que a preparação para fenómenos extremos pode ser planeada gradualmente para que no final "o gasto seja menor".
Depois de na segunda-feira ter estado no terreno em Leiria, a ver os impactos das intempéries, o Livre organizou esta terça-feira um conjunto de debates sobre a preparação do país face a fenómenos climáticos extremos.
Pedro Garrett Lopes, investigador na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, alertou que este tipo de fenómenos "tem tendência para aumentar de forma significativa".
O investigador salientou que entre a década de 80 e 90, Portugal gastava em média por ano 70 milhões de euros em danos relacionados com fenómenos extremos, valor que entre 2000 e 2025 aumentou 10 vezes, para uma média de 600 milhões.
Luísa Schmidt, investigadora no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa lamentou que, a nível nacional, existam imensos planos que nunca são aplicados, e alertou que o desordenamento do território é um dos fatores que agrava as consequências deste tipo de fenómenos.
Susana Peralta, economista, realçou que Portugal tem "descurado sistematicamente" o investimento público e que "nem todo o dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) está a ser gasto de maneira muito útil".
"Agora inventámos o PTRR mas na prática ainda não aconteceu nada no terreno", salientou. A economista considerou que o país é "tímido na tributação verde" e admitiu a taxação de heranças como forma de aumentar os recursos do país.
Num segundo painel, José Miguel Cardoso Pereira, professor no Instituto Superior de Agronomia, defendeu que o país deve investir na técnica de ignição de fogos controlados, que tem como objetivo a prevenção de incêndios e Francisco Castro Rego, ex-presidente do Observatório Técnico Independente, pediu estabilidade nas políticas públicas nesta área, queixando-se que tal nem sempre acontece.
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