Caminho, num parlamento tripartido, tem passado por apresentar o Governo como "o eixo central" ou o "bloco do meio", sem escolher um parceiro preferencial entre o PS e o Chega.
Luís Montenegro completa na quinta-feira dois anos como primeiro-ministro à frente de dois executivos PSD/CDS-PP sem maioria, reforçou-se em legislativas antecipadas pelo meio e aponta como meta chegar a 2029 sem novas eleições.
O caminho, num parlamento tripartido, tem passado por apresentar o Governo como "o eixo central" ou o "bloco do meio", sem escolher um parceiro preferencial entre o PS e o Chega, que trocaram de posições no parlamento nas legislativas de 2025.
Desde que tomou posse pela primeira vez, em 2 de abril de 2024, o presidente do PSD já conviveu com dois Presidentes da República, Marcelo Rebelo de Sousa e António José Seguro -- que na tomada de posse disse querer estancar o "frenesim eleitoral" dos últimos anos - e dois líderes do PS, Pedro Nuno Santos e José Luís Carneiro.
O Governo chega a este segundo aniversário num contexto de crise internacional, com os efeitos do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irão a fazerem-se sentir já na economia, mas também nacional devido aos avultados prejuízos das tempestades de fevereiro, que já levaram o primeiro-ministro a admitir o regresso "pequenos défices", mas sem orçamentos retificativos por enquanto.
Nas últimas semanas, o executivo PSD/CDS-PP tem-se empenhado em defender a sua matriz reformista -- depois de intervenções críticas do ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a apontar falhas nessa matéria e, mais recentemente, de um artigo de Cavaco Silva --, com o "número dois" de Montenegro, o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, a batizar a ação do executivo como "uma mudança tranquila" e "despida de ideologia".
O executivo reclama como reformas -- "estruturais e comportamentais" -- os acordos de valorização salariais com dezenas de carreiras da função pública, as descidas do IRS e IRC, os aumentos das pensões, o lançamento da localização do futuro aeroporto ou o processo de reprivatização da TAP, a regulação do uso telemóveis nas escolas, bem como uma maior rigidez nas regras da imigração, entre muitas outras medidas setoriais em áreas como saúde, habitação, justiça ou educação.
O primeiro executivo chefiado por Luís Montenegro demitiu-se a 11 de março de 2025 - com menos de um ano em funções - devido à rejeição pelo parlamento de uma moção de confiança apresentada pelo executivo, após semanas de dúvidas sobre a vida patrimonial e pessoal do primeiro-ministro e a empresa Spinumviva.
Depois de uma campanha totalmente centrada na figura de Montenegro -- o hino da AD dizia "Deixa o Luís trabalhar" -, a coligação PSD/CDS-PP voltou a vencer eleições em maio de 2025 e reforçou-se em número de deputados (passou de 80 para 91), numas eleições em que o Chega ultrapassou o PS como segunda força parlamentar (60 deputados contra 58).
Montenegro formou um Governo de continuidade -- com apenas dois ministros novos -- e, logo no primeiro Conselho de Ministros, reivindicou uma posição central no panorama político português, dizendo que o executivo iria "planar" umas vezes mais para a esquerda, outras mais para direta, metáfora que tem repetido de outras formas sempre que lhe perguntam se governará mais com o Chega ou com o PS.
Nesta segunda legislatura, o Governo aprovou com o Chega (além da IL e JPP) a alteração do regime jurídico de estrangeiros que já está em vigor, após um primeiro veto, e a revisão da lei da nacionalidade que será reapreciada esta quarta-feira, depois de a versão original -- aprovada com os mesmos partidos - ter sido considerada inconstitucional.
Já o PS viabilizou, através da abstenção, os dois Orçamentos do Estado apresentados pelo Governo de Montenegro: se o de 2025 exigiu meses de negociação e só passou depois de o executivo ter alterado as suas propostas para o IRC e IRS jovem, em 2026 o processo foi mais pacífico, já que José Luís Carneiro (que substituiu Pedro Nuno Santos após as legislativas antecipadas) apenas exigiu que não constassem do documento algumas linhas vermelhas, como a lei laboral.
A estratégia de querer negociar "com todos" está, mais recentemente, a ter impacto na dificuldade de eleger os órgãos externos da Assembleia da República, com a forma de escolha dos juízes em falta no Tribunal Constitucional a levar o PS a ameaçar uma rutura mais global com o PSD se o partido ficar de fora.
A revisão do Código do Trabalho, há oito meses em discussão na concertação social, que já provocou uma greve a 11 de dezembro e continua sem acordo à vista, tem sido outra das "batalhas" centrais deste segundo executivo de Montenegro.
No final de janeiro, chegou uma sucessão de tempestades que causou 19 mortos, centenas de feridos e desalojados e muitos milhões de prejuízos (ainda não há números finais), com o Governo a enfrentar críticas de ter agido tarde, tal como já tinha acontecido na época dos incêndios do verão passado, que fizeram quatro mortes e a segunda maior área ardida da década.
A dimensão dos prejuízos levou o Governo a lançar o programa "Portugal Recuperação, Transformação e Resiliência", com objetivos de curto, médio e longo prazo (até 2034), mas cuja versão final e envelope financeiro só serão conhecidos em abril.
Ao longo dos últimos dois anos, os problemas no acesso à saúde têm estado sempre no centro das críticas ao executivo, com a ministra Ana Paula Martins a enfrentar agora nova contestação devido à proposta de criação de urgências regionais.
Montenegro só mexeu uma vez em cada um dos seus governos -- no primeiro mudou seis secretários de Estado após um pedido de demissão de Hernâni Dias -- e, até agora no segundo, mudou apenas o titular da pasta da Administração Interna. Luís Neves, antigo diretor da Polícia Judiciária, substituiu Maria Lúcia Amaral, que se demitiu ainda durante as intempéries.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.