Cabeça de lista do PS às europeias acrescentou que "muitas e muitos se iludiram".
A cabeça de lista do PS às europeias apelou esta quarta-feira aos portugueses para que não se deixem enganar como nas últimas eleições e avisou que "é muito o que está em jogo", dando como exemplo o direito ao aborto.
Marta Temido encerrou em Faro o comício do terceiro dia de campanha, todo dedicado ao distrito de Faro, no qual fez um apelo ao voto e pediu "que ninguém se iluda".
"Penso que nas últimas eleições legislativas muitas e muitos se iludiram. Não vão em cortinas de fumo", apelou.
A cabeça de lista do PS deu exemplos da recente governação do PSD/CDS-PP como a ausência de um choque fiscal como prometido, o facto de "as politicas na área dos jovens afinal só beneficiarem alguns" e até "o apoio à Ucrânia que acaba por ser aquilo que já estava decidido".
"Não se deixem enganar, é mesmo muito o que está em jogo", pediu, apelando que até às eleições de 09 de junho se mobilize toda a gente para o voto porque é preciso agarrar o "destino pelas mãos e não deixar de tomar parte no desenho do futuro da União Europeia".
Num discurso feito à volta do simbolismo da bandeira da União Europeia - que faz esta uarta-feira 38 anos que foi hasteada pela primeira vez, segundo referiu - Marta Temido considerou que todos os ataques que têm sido feitos "às minorias, de xenofobia, à homofobia, de misoginia" são sintetizados na questão da interrupção voluntária da gravidez que voltou a estar "na agenda daquilo que pode estar em causa nestas eleições".
"Há por aí quem diga que este direito deve ser ponderado porque não é um direito sozinho. Pois claro que não é um direito sozinho, não há direitos sozinhos, a questão é como é que nós equilibramos direitos em conflito", disse, numa referência implícita ao opositor pela AD, Sebastião Bugalho.
A resposta que deve ser dada para "tantos direitos em conflito" na sociedade não se pode ser "à custa da vida de mulheres".
"E nós sabemos que é a isso que nos leva, é a esse drama, a essa chaga que nos leva qualquer recuo nesta matéria", alertou, considerou que para lá da questão dos direitos, está em causa um problema de saúde pública.
Marta Temido deixou claro que não está disponível para deixar as "filhas, netas, meninas e raparigas deste país terem que passar por situações" que ainda conheceu nas suas amigas e colegas.
"Ainda sou da geração em que a IVG não era permitida neste país. Não foi assim há tanto tempo. Há muitas coisas que nós sabemos que quando damos por garantidas estamos em risco de começar a perder", avisou.
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