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Correio da Manhã

Política
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Medina rejeita cumplicidade com regime russo após divulgação de dados pessoais de ativistas. Leia a reação

Câmara confirma envio de dados mas alega tratar-se de procedimento "geral adotado para manifestações".
Correio da Manhã 10 de Junho de 2021 às 09:53
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina
Fernando Medina
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina
Fernando Medina
Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa
Fernando Medina
Fernando Medina
A Câmara de Lisboa fez chegar às autoridades russas os nomes, moradas e contactos de três manifestantes russos que, em janeiro, participaram num protesto, em frente à embaixada russa em Lisboa e Moscovo, pela libertação de Alexey Navalny, opositor daquele Governo, avançou esta quarta-feira o jornal Expresso e o Observador.

A autarquia reagiu esta quinta-feira ao caso alegando que recebeu o pedido de autorização para a respetiva manifestação em Lisboa e que recebeu os dados dos três organizadores "conforme previsto na Lei (Decreto-Lei n.º 406/74)". Confirma ainda que foram efetivamente enviados estes dados para a embaixada de serviços consulares da Rússia explicando tratar-se "de procedimento geral adotado para manifestações".

O presidente da Câmara, Fernando Medina, rejeita ainda cumpricidade com o regime russo após a divulgação dos dados. 

Leia a reação na íntegra:
"1. No dia 18 de janeiro 2021, o município de Lisboa rececionou uma comunicação respeitante à intenção de levar a cabo uma manifestação designada "Concentração em Solidariedade com Alexei Navalny e apelo à sua libertação imediata".

2. Conforme previsto na Lei (Decreto-Lei n.º 406/74), foram rececionados os dados dos três organizadores. Essa informação foi remetida pelos serviços técnicos da CML para a PSP/MAI e à entidade/local de realização da manifestação (no caso, embaixada de serviços consulares da Rússia), conforme procedimento geral adotado para manifestações.

3. Na sequência do reencaminhamento desses dados foi rececionada uma reclamação junto do município em que se solicitava:

a) Ao abrigo do artigo 17º do Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), o apagamento dos nossos dados pessoais relativamente à Embaixada Russa/serviços consulares e outras;

b) Ao abrigo do artigo 15º do mesmo Regulamento, o acesso aos dados pessoais existentes no sentido de aferir a existência de partilha com outras entidades.

4. Foram desencadeados os procedimentos internos com vista à análise da situação, nomeadamente provocada a intervenção do Encarregado de Proteção de Dados.

5. Na sequência da intervenção deste Encarregado e dando-se sequência ao solicitado pelos requerentes:

a) Foi comunicado, ao abrigo da legislação em vigor, que as entidades recetoras deveriam proceder à eliminação dos dados;

b) Procedeu-se à eliminação dos dados pessoais, nos termos da Lei.

6. Na sequência dessa análise, foram alterados os procedimentos internos desde 18 de abril e, nas manifestações subsequentes para as quais foi recebida comunicação (Israel, Cuba e Angola) não foram partilhados quaisquer dados dos promotores com as embaixadas.

7. A CML tem cumprido de forma homogénea a Lei portuguesa, aplicando os mesmos procedimentos a todo o tipo de manifestações, independentemente do promotor e do destinatário da mesma.

8. A CML lamenta que a reprodução de procedimentos instituídos para situações de normal funcionamento democrático não se tenha revelado adequada neste contexto. Ciente dessa realidade, os procedimentos foram desde logo alterados, em conformidade com o Regulamento Geral de Proteção de Dados, para melhor proteção do direito à manifestação e à liberdade de expressão, pilares fundamentais do Portugal democrático.

9. A CML rejeita de forma veemente quaisquer acusações e insinuações de cumplicidade com o regime russo, a maioria das quais tem apenas como propósito o óbvio aproveitamento político a partir de um procedimento dos serviços da autarquia."
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