O segundo dia do congresso social-democrata ficou marcado por dois momentos. O duelo entre Marques Mendes e Morais Sarmento e o anúncio de Luís Filipe Menezes de não se recandidatar a Vila Nova de Gaia.
Passavam poucos minutos das cinco da tarde quando o ex-ministro dos Assuntos Parlamentares subiu ao palanque. Fez questão de percorrer o corredor e conseguiu arrancar uma das maiores ovações da tarde quando disse que o PSD deve concorrer sozinho nas próximas eleições legislativas.
“Esta é uma coligação de Governo e não uma coligação eleitoral, por isso o PSD deve concorrer sozinho, preservando a sua identidade”, disse Marques Mendes, acrescentando que “é fundamental falar claro aos portugueses e quanto mais se adiar mais a dúvida e a instabilidade se instalam”. E admitiu que deve haver um congresso para tratar especificamente desse tema.
As críticas não se ficaram por aqui. Marques Mendes defendeu que “o PSD está a desviar-se para a direita e a perder o seu espaço político natural, que é o centro”, revelando uma atitude concertada de oposição com as críticas feitas antes do Congresso por Miguel Veiga.
O ex-ministro deixou ainda um recado ao CDS-PP. Em declarações à SIC Notícias, lembrou que, no quadro de uma ruptura entre os dois partidos da coligação, haveria sempre uma “parte do Governo que trabalhava e outra que estava a fazer campanha eleitoral.”
Disse que “os governantes não podem enganar os portugueses e dizer que o tempo de austeridade acabou, nem ter medo das palavras austeridade, exigência, esforço e disciplina”, desmarcando-se, implicitamente, do Orçamento de Estado de 2005. Lembrou até que “a baixa de impostos que António Guterres promoveu em 2001 provocou o descalabro financeiro e orçamental e não lhe trouxe qualquer ganho eleitoral”.
Relativamente à ausência de Manuela Ferreira Leite no Congresso, o ex-adversário de Santana Lopes no conclave de Viseu, contestou a atitude do partido dizendo que “no mínimo foi uma coisa feia”.
Coube a Morais Sarmento responder em nome da direcção. “Meu caro Mendes, como é capaz de defender a estabilidade anunciando a morte da coligação dois anos antes das eleições?”, perguntou o ministro, acrescentando que “o PSD não pode esquecer-se de que governa em coligação”.
No entanto, o ministro assumiu que a percepção que tem dos militantes é a de que eles não querem uma coligação para além de 2006.
Quanto às críticas ao Orçamento do Estado, o ministro de Estado e da Presidência sublinhou o “rigor” do documento, que “vem no seguimento da estratégia estabelecida em 2002, com a colaboração do dr. Marques Mendes, em que se dividiu a legislatura em duas partes – de contenção da despesa até 2004 e de prioridade às condições de vida dos portugueses de 2004 a 2006”. Pelo meio fez um enorme elogio a Manuela Ferreira Leite “na sua ausência” e lançou um repto ao líder do PS, José Sócrates, de colocar a sua liderança em jogo nas autárquicas, como o faz Santana Lopes.
O segundo ponto quente surgiu quando Luís Filipe Menezes anunciou que não será candidato à Câmara Municipal de Gaia em 2005 (a menos que surjam acontecimentos inesperados), afirmando-se, porém, disponível para todos os combates até 2006. A direcção do PSD queria que o autarca se recandidatasse – Menezes prefere abrir a porta à eventual candidatura à Câmara do Porto.
Entre os discursos, prosseguiram nos bastidores várias negociações para as listas. Morais Sarmento e José Luís Arnaut mantêm-se no núcleo duro de Santana.
MOMENTO: O ATAQUE DO Nº 2
Havia quem tivesse dúvidas sobre a fidelidade de Morais Sarmento à linha actual do PSD. Ontem, foi ele que falou em nome de Santana a tentar desarmar Marques Mendes. Aquele que é considerado o representante do PSD – por oposição ao PPD de Santana – no Governo, agiu como o verdadeiro n.º 2 do líder. Entre outras passagens, Morais Sarmento enalteceu o papel de Santana Lopes no delinear da actual estratégia do partido.
O presidente da Câmara Municipal de Gaia anunciou ontem, durante o Congresso do PSD, que não vai recandidatar-se ao cargo, que exerce desde 1997. Afirmando que participará na escolha do candidato do PSD ao lugar, Menezes acrescentou que “só questões de Estado” o farão mudar de opinião.
A Direcção do PSD queria que o autarca se recandidatasse – Menezes prefere abrir a porta à eventual candidatura ao Porto.
ANTÓNIO CAPUCHO
O gabinete do presidente da Câmara de Cascais, António Capucho, anunciou ontem que este não foi ao Congresso em sinal de “descontentamento pela pouca atenção dada pelo Governo ao concelho”.
NICOLAU BREYNER
Filiaram-se no PSD figuras como Nicolau Breyner, Tozé Martinho, Sílvia Rizzo e Ana Rocha, do mundo do espectáculo. Pinto de Albuquerque, Mónica Ferro, Isabel Meirelles são outras das figuras ligadas ao mundo empresarial. Estes nomes constam de um rol de 22 novas adesões ao PSD.
AS FACTURAS
Às 20h45 de ontem, o bar de apoio ao Congresso emitiu a primeira factura de consumo. A sorte coube ao repórter fotográfico do CM e, depois de ontem termos noticiado esta desconformidade ao discurso do Governo, hoje dá-se conta do súbito passo no sentido do rigor fiscal.
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