Presidente do Governo da Madeira vincou que o executivo está a fazer "todas as diligências" junto das instâncias competentes.
O presidente do Governo da Madeira (PSD/CDS-PP), Miguel Albuquerque, manifestou-se esta terça-feira confiante na libertação de dois cidadãos de origem madeirense presos na Venezuela, vincando que o executivo está a fazer "todas as diligências" junto das instâncias competentes.
"Estas coisas não se resolvem em casa a ver televisão, nem a falar nas televisões. É preciso ação e a ação passa, do meu ponto de vista, por uma diligência junto do senhor ministro [dos Negócios Estrangeiros] e, simultaneamente, junto da potência dominante e que, no fundo, está a tutelar a transição, que é os Estados Unidos da América", disse.
Albuquerque disse ter enviado hoje cartas ao ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e ao embaixador dos Estados Unidos em Portugal, John J. Arrigo.
"Escrevi que dois cidadãos da Madeira são presos políticos, no sentido de empreender junto dos respetivos governos, quer dos Estados Unidos, quer nacional, todas as diligências para a sua libertação o mais rápido possível", explicou, acrescentando: "Não é admissível, uma vez que desejamos uma Venezuela com democracia plena, que as pessoas sejam presas por razões políticas."
O governante madeirense, também líder da estrutura regional do PSD, falava aos jornalistas no Funchal, à margem da cerimónia comemorativa do Dia do Liceu Jaime Moniz, uma das maiores escolas secundárias da região autónoma.
O chefe do executivo madeirense disse ainda que "é preciso acontecer" a libertação dos presos, mas sublinhou que "se ninguém se mexer não acontece nada".
Na segunda-feira, o diretor regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, recebeu em audiência as filha do luso-venzuelano Juan Francisco Rodriguez dos Ramos, um dos detidos na Venezuela por questões políticas, situação em que se encontra também Fernando Venâncio, outro cidadão de origem madeirense.
Na altura, Sancho Gomes afirmou que o executivo madeirense está "fortemente empenhado" na libertação daqueles cidadãos, vincando que se abriu uma "janela de oportunidade" na Venezuela após o ataque norte-americano que levou à captura do Presidente, Nicolás Maduro, e da sua mulher.
Organizações não-governamentais (ONG) e a oposição da Venezuela confirmaram na segunda-feira que pelo menos 56 presos políticos foram libertados desde quinta-feira, enquanto o Governo afirma que 116 saíram em liberdade, mas sem revelar os nomes.
A ONG venezuelana Foro Penal, que até domingo contabilizava mais de 800 presos políticos nas cadeias do país, confirmou a libertação de 56 pessoas até às 21:15 de segunda-feira (01:15 de hoje em Lisboa).
Segundo o balanço mais recente da Foro Penal, o número de presos políticos incluía 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade, entre os quais cinco lusovenezuelanos.
O principal bloco de oposição da Venezuela contabilizou, por seu turno, 73 libertações até à mesma hora.
Na quinta-feira, o presidente do parlamento da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou a libertação de um "número significativo" de pessoas.
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