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Esquema em pirâmide com vinhos de luxo trama 500 portugueses

Empresa com sede em Londres exigia investimento mínimo de 5 mil euros em garrafas que investidores nunca viam.

13 de janeiro de 2026 às 01:30

Durante mais de dez anos, a OenoFuture Limited prometeu um retorno acima de 10 por cento ao ano aos investidores. Apenas tinham de 'entrar' com um mínimo de cinco mil euros e esperar que as garrafas de "vinho fino" fossem comercializadas. Milhares de pessoas acreditaram no negócio prometido pela corretora com sede em Londres, apesar de nunca verem as garrafas. Entre eles cerca de 500 portugueses. Mas a empresa fechou poucos dias antes do Natal. Os líderes desapareceram e deixaram de atender os telefones e os investidores começaram a perceber que ficaram sem dinheiro e nem sequer tinham uma garrafa de vinho corrente.

Aquilo que parecia um investimento seguro está agora a revelar-se um esquema em pirâmide, cuja bolha rebentou quando o número de investidores começou a reduzir. Já há queixas apresentadas na Polícia Judiciária, mas estão a ser encaminhadas para as autoridades britânicas - no caso o departamento de fraudes da polícia inglesa. Há suspeitas de gestão danosa, entre outros crimes económicos.

O esquema passava pelo negócio base da Oeno, uma corretora que apostava na aquisição de vinhos de luxo e whiskies raros e na sua valorização no futuro. Os clientes eram aconselhados a investir em determinadas marcas, mas nunca viam as garrafas. Segundo o 'Público', que em 2024 fez uma reportagem a convite da empresa, as garrafas alegadamente ficavam fisicamente no 'London City Bond', um entreposto gigante junto ao rio Tamisa que funciona como uma espécie de zona franca. O vinho ali depositado não pagava impostos, apenas quando fosse comercializado. Ou seja, quem investia lucrava quando as garrafas mudavam de dono sem nunca as ver ou tocar.

Os problemas começaram a surgir em 2023 e foram-se agravando, com o diretor-executivo Michael Doerr a sair depois de a faturação cair cerca de 7 milhões de euros face ao ano anterior. Os investidores começaram então a querer reaver o dinheiro ou resgatar as garrafas que tinham em seu nome, mas aí perceberam que no London City Bond não havia nenhuma conta em seu nome.

Barril de whisky vendido várias vezes

Em alguns casos, os lesados da Oeno perceberam que a empresa não tinha feito qualquer negócio com  as adegas ou as destilarias, ou que o volume de vendas não correspondia ao anunciado pela empresa inglesa. Suspeita-se que o mesmo barril de whisky tenha sido vendido várias vezes a pessoas diferentes. Segundo o 'Público', os lesados portugueses perderam, cada um, entre cinco mil e 100 mil euros e duvidam conseguir reaver o dinheiro.    

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