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Ministra nega relação entre imigração e crime e alerta para impacto de discurso público

Margarida Balseiro Lopes salienta que declarações públicas de responsáveis políticos podem incentivar comportamentos violentos contra comunidades.

14 de abril de 2026 às 21:27

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto reiterou esta terça-feira que não existe qualquer relação entre imigração e criminalidade, salientando que declarações públicas de responsáveis políticos podem incentivar comportamentos violentos contra comunidades.

Em resposta ao deputado do Chega Ricardo Reis, que questionou a ministra sobre dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), Margarida Balseiro Lopes rejeitou a existência de uma ligação entre o aumento da criminalidade e a imigração, sublinhando que não há dados que sustentem essa associação.

"Não há nenhuma correlação entre imigração e criminalidade", afirmou a governante, no decorrer de uma audição regimental na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, acrescentando que a generalização desse discurso não corresponde à realidade.

A ministra salientou a responsabilidade acrescida dos deputados eleitos, recordando que as palavras proferidas no espaço público têm impacto na sociedade e podem influenciar comportamentos.

"Fui deputada e as palavras dos deputados têm um peso enorme, sobretudo quando podem potenciar comportamentos que coloquem em risco pessoas que não têm nada a ver com esse tipo de generalizações", disse.

Margarida Balseiro Lopes advertiu que este tipo de discurso pode, no limite, contribuir para atitudes de hostilidade ou agressão contra comunidades, defendendo uma abordagem assente em factos e no respeito pelos direitos humanos.

A governante reforçou que a proteção da dignidade e segurança das pessoas deve ser uma prioridade, mas considerou que esse objetivo não pode ser associado à imigração sem base factual.

"São intoleráveis quaisquer comportamentos que atentem à dignidade, à segurança e à vida das mulheres, mas isso não pode ser dito juntando a conversa da imigração, porque objetivamente não temos dados que suportem essa correlação", afirmou.

A ministra destacou ainda que a única "linha vermelha" que deve orientar o debate político é a dos direitos humanos, apelando para uma discussão responsável e baseada em informação rigorosa.

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