Manuel Pizarro acrescentou que o encerramento deste serviço de urgência "não foi uma decisão organizativa ou política".
O ministro da Saúde rejeitou esta terça-feira que haja uma contestação generalizada por causa do encerramento do serviço de urgência pediátrica em Loures, durante o fim de semana, e justificou-o com a falta de profissionais para assegurar os cuidados.
"Não considero que haja uma contestação generalizada. O mapa que foi ontem [segunda-feira] divulgado pela direção executiva [do SNS] é bastante mais moderado do que muitas propostas técnicas que foram sendo divulgadas", considerou Manuel Pizarro, em declarações aos jornalistas depois de uma reunião dos ministros da Saúde da União Europeia (UE), em Bruxelas (Bélgica).
Na segunda-feira, a comissão de utentes do Hospital Beatriz Ângelo (HBA), em Loures, manifestou indignação com a decisão de encerramento do serviço de urgência pediátrica durante o fim de semana e anunciou que estão a ser ponderadas ações de contestações junto ao Ministério da Saúde, em Lisboa.
Também a Câmara de Loures, presidida pelo socialista Ricardo Leão, manifestou-se contra o encerramento da urgência de pediatria do HBA, no período noturno e durante os fins de semana, e apelou ao Governo que reverta esta decisão.
"O município considera estar em causa o direito constitucional de acesso à saúde e apela ao Governo a revisão imediata desta decisão, bem como a implementação de um plano consolidado de supressão da necessidade de profissionais de saúde, sobretudo em Loures, um dos municípios mais densamente povoado e que apresenta maior carência de médicos nos serviços públicos de saúde", referiu a autarquia do distrito de Lisboa, em comunicado.
O presidente da Câmara de Mafra, um dos municípios servidos por este hospital, considerou que o Governo "defraudou as expectativas" ao decidir manter o encerramento das urgências pediátricas ao fim de semana.
Manuel Pizarro acrescentou que o encerramento deste serviço de urgência "não foi uma decisão organizativa ou política" e que apenas resultou da "carência de profissionais e de pediatras".
Esta decisão contraria as garantias que tinham sido dadas há uma semana pelo ministro da Saúde aos autarcas de Loures, Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço (municípios servidos pelo hospital) de que as urgências do Beatriz Ângelo iriam reabrir ao fim de semana, "em horário por definir".
Questionado sobre as garantias que tinha dado aos autarcas daqueles municípios, o governante socialista referiu que é importante que a população tenha acesso a "urgências de qualidade e de segurança".
"A garantia que dei é a garantia que agora repito: nós vamos trabalhar para ver se é possível fazer com que a urgência do hospital de Loures funcione também durante o dia, entre as 09h00 e as 21h00, não apenas de segunda a sexta-feira, mas também ao fim de semana", completou.
Apenas com a resolução do problema da falta de profissionais é que vai ser possível alterar os horários: "Em todo o caso devo dizer que quer à noite, quer ao fim de semana, as crianças de Loures e as suas famílias estão protegidas pelo funcionamento de outras urgências, nomeadamente no Hospital de Santa Maria e no Hospital Dona Estefânia."
No entanto, o ministro reconheceu que, apesar de ser "mais incómoda" a deslocação a essas urgências para os utentes servidos pelo Beatriz Ângelo, a afluência às urgências pediátricas costuma ser menor durante a noite e o fim de semana, nomeadamente por haver menor tráfego automóvel.
Sobre as demissões dos chefes de equipa da urgência de Medicina Interna do Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, Manuel Pizarro disse que quando regressar a Lisboa terá "uma conversa para perceber que motivações exatas estão por detrás dessas demissões".
"Mas não há dúvidas de que em Portugal temos um fluxo excessivo de acesso às urgências", observou.
Os clínicos daquele hospital apresentaram a demissão em bloco numa carta enviada na segunda-feira ao conselho de administração, criticando a falta de soluções para os problemas do serviço.
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