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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

MNE diz que Portugal tem de aceitar políticas de alguns países no recrutamento para consulados

Paulo Rangel recordou que em todas as instalações diplomáticas Portugal tem funcionários portugueses e não portugueses e que em alguns Estados existem "regras muito especiais".

05 de novembro de 2025 às 17:50

O ministro dos Negócios Estrangeiros disse esta quarta-feira que Portugal tem de se conformar com as políticas de alguns países em matéria de recrutamento de funcionários para as instalações diplomáticas, defendendo a contratação de portugueses para mitigar potenciais efeitos.

Paulo Rangel, respondia na audição regimental no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2026, ao deputado Ricardo Dias Pinto (Chega) sobre o recrutamento de funcionários não portugueses para representações diplomáticas de Portugal em alguns países, como a Rússia e no Irão, explicando-lhe regras específicas que existem em alguns países.

O deputado considerou que o recrutamento de funcionários desses países nas instituições de Portugal coloca os portugueses que necessitam desses serviços consulares numa "situação de grande vulnerabilidade".

"Estes dados devem ser confiados a funcionários portugueses devidamente credenciados", defendeu.

Paulo Rangel recordou que em todas as instalações diplomáticas Portugal tem funcionários portugueses e não portugueses e que em alguns Estados existem "regras muito especiais".

Na Federação Russa, exemplificou, os funcionários só podem ser contratados através de uma empresa que o Estado criou.

"Temos de nos conformar com o quadro que nos é dado, que pode colocar constrangimentos", afirmou, acrescentando: "Podemos mitigar alguns efeitos desse ambiente menos transparente para nós que é justamente colocar mais diplomatas portugueses ou funcionários portugueses, na medida em que sejam aceites nesses países".

Mais tarde, o deputado Rodrigo saraiva (IL) voltou ao tema, considerando "inaceitável" a criação desta empresa pela Rússia.

Paulo Rangel respondeu afirmando que esse sistema já existe na China.

"A IL pensa, em algumas posições, que Portugal é uma ONG. Portugal é um Estado e tem de conduzir as relações com preocupações de Estado", disse o ministro.

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