"Apelo a Israel para que cesse as hostilidades", disse Paulo Rangel.
O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) português defendeu esta quarta-feira ser fundamental que todos os envolvidos no cessar-fogo da guerra no Irão cumpram a suspensão dos ataques e pediu a Israel que cesse as hostilidades no Líbano.
"É preciso uma grande disciplina na observância do acordo de cessar-fogo", afirmou Paulo Rangel, numa conferência de imprensa realizada em conjunto com o ministro do Comércio da Turquia, Omer Bolat, com quem assinou esta quarta-feira em Lisboa um protocolo.
Garantindo ter "grande esperança" que o cessar-fogo traga uma "paz duradoura" ao Médio Oriente e permita "a liberdade de navegação" no Estreito de Ormuz, Paulo Rangel admitiu que, para que isso aconteça, "é preciso tempo" para negociar.
"Estamos muito esperançosos que este seja um primeiro passo" para a paz, até porque o conflito de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão -- e que, entretanto, se alastrou a vários países do Médio Oriente -- "não tem impacto só na região. Os seus efeitos são sentidos em todo o mundo", referiu o chefe da diplomacia portuguesa.
Face à necessidade de estabilidade na região, o ministro dos Negócios Estrangeiros reconheceu ser preciso que Israel também pare de atacar o Líbano.
"Apelo a Israel para que cesse as hostilidades", disse Rangel.
"Compreendo as questões de segurança em causa", face aos ataques do grupo xiita libanês pró-Irão Hezbollah a Israel, mas "é preciso dar um reforço ao Governo libanês e à sua coragem", acrescentou.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, aceitou, na terça-feira à noite, suspender por duas semanas os bombardeamentos e ataques ao Irão, num "cessar-fogo bilateral", e após ter recebido de Teerão uma proposta de paz que considerou "viável".
O acordo, confirmado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, pretende possibilitar negociações para um acordo de paz que, segundo as autoridades iranianas, terão lugar no Paquistão a partir de 10 de abril (sexta-feira).
O anúncio do cessar-fogo entre o Irão e os Estados Unidos foi feito na noite de terça-feira, uma hora antes do fim do ultimato feito por Donald Trump, que ameaçou erradicar "uma civilização inteira" caso Teerão não abrisse o Estreito de Ormuz.
Declaração que Paulo Rangel criticou esta quarta-feira, garantindo que "Portugal nunca acompanhará nenhuma escalada, nem retórica nem militar" e defendendo que a ameaça "não ajudou o processo".
O cessar-fogo incluiu o Líbano, segundo o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, que liderou a mediação deste acordo, mas o seu homólogo israelita, Benjamin Netanyahu, rejeitou essa possibilidade e manteve os ataques aéreos contra o país vizinho.
Também o ministro do Comércio da Turquia se congratulou com o cessar-fogo acordado, lembrando que o seu país faz parte do grupo de mediadores.
"Estamos muito contentes com o cessar-fogo. A Turquia, o Paquistão e o Egito trabalharam arduamente [para o conseguir]", avançou Omer Bolat.
"Esperamos que estes 15 dias sejam suficientes para os dois lados chegarem a um acordo para uma paz mais duradoura", acrescentou.
Os dois ministros -- português e turco -- estiveram esta quarta-feira de manhã reunidos na quinta Comissão de Relações Económicas entre os dois países, tendo assinado um acordo que visa expandir as relações comerciais.
Segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros português, a relação comercial entre os dois Estados "melhorou extraordinariamente nos últimos anos" e os contactos têm crescido.
"Este é momento extraordinário", disse Rangel, lembrando que há 42 voos semanais entre Portugal e Turquia, o que "é altamente significativo".
A Turquia, "um grande parceiro da União Europeia", tem "um potencial tão grande que os dois governos - talvez para comemorar os 100 anos de relações diplomáticas que se assinalam este ano -- querem expandir a sua relação comercial", avançou o ministro português.
O aniversário foi também referido pelo ministro turco, que disse querer aprofundar a relação em várias vertentes, nomeadamente nas áreas das energias renováveis, construção de navios, turismo e transportes.
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