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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Montenegro diz que veto do PR atesta incompetência do Governo em apresentar "solução credível" para os professores

Presidente do PSD pede acesso a um conjunto de "elementos quantitativos" para propor uma resposta concreta.

26 de julho de 2023 às 17:28

O presidente do PSD considerou esta quarta-feira que o veto do Presidente da República ao diploma do Governo sobre as progressões na carreira dos professores atesta a incompetência do executivo de António Costa para apresentar "uma solução credível" para os docentes.

"O senhor Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa], com o direito de veto que hoje exerceu, por um lado atesta a incapacidade e a incompetência do Governo em dar uma solução credível, plausível, fundamental a este assunto e, por outro lado, dá-nos ainda mais vigor, mais força para nós fazermos um apelo público ao doutor António Costa, que não consegue resolver o problema, [para que] nos dê os elementos", afirmou Luís Montenegro.

O líder social-democrata frisou que o seu partido está "empenhado em propor uma solução concreta", mas, para isso, precisa de ter acesso a um conjunto de "elementos quantitativos", como o número de professores por escalão, para fazer as contas e apresentar uma proposta.

"E o Governo não nos dá. É um Governo de opacidade, é um Governo sem transparência", criticou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita a uma unidade de alojamento local, no concelho de São Vicente, no norte da Madeira, no âmbito da iniciativa "Sentir Portugal".

"Teremos de ser mais criativos e nós próprios fazer as nossas estimativas, mas eu não queria fazer na base de uma informação que não me está a ser dada por aqueles que têm responsabilidade de a partilhar com todo o país", reforçou.

Interrogado se defende que o tempo de serviço dos professores deve ser recuperado de forma integral e faseada, Montenegro disse não conseguir responder à questão, insistindo que tem de saber concretamente aquilo que está a propor.

"Para mim seria muito fácil dizer agora ao país e aos professores: 'eu vou-vos dar, se for primeiro-ministro, todo o tempo de recuperação de um dia para o outro'. Mas eu quero mesmo ser primeiro-ministro, eu não sou defensor de uma governação irresponsável", afirmou.

"Eu não quero enganar os professores. Para enganar os professores já chegam estes oito anos do Partido Socialista", acusou.

O líder social-democrata disse ainda que não quer que existam "iniquidades na administração pública", mas ressalvou que não pretende, sobretudo, "que faltem professores" aos alunos portugueses, argumentando que a "a consequência disso é a desigualdade e os pobres ficarem mais pobres".

Nesse sentido, referiu que uma forma para atrair mais professores para a carreira docente poderá ser através de uma discriminação positiva.

"Os governos podem discriminar positivamente áreas de exercício de funções na administração pública. Temos é de saber quanto é que isso custa e temos de assumir isso com coragem", defendeu.

Na perspetiva de Montenegro, "hoje em dia, a escola pública não está a cumprir a sua tarefa de ser o motor e o garante da igualdade de oportunidades, da verdadeira democracia política que dá a mesma possibilidade de ascenderem socialmente, de se qualificarem e de poderem alcançar os seus objetivos".

"É mais uma das conclusões que nós podemos tirar, com alguma ironia, desta governação socialista. É com o Governo do Partido Socialista que as escolas privadas não têm uma única vaga. É com o Governo do Partido Socialista que a área privada da saúde teve o maior período de crescimento e de florescimento de que há memória", apontou.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vetou esta quarta-feira o decreto do Governo que estabelecia "os termos de implementação dos mecanismos de aceleração de progressão na carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário".

De acordo com uma nota divulgada no site da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu aspetos positivos ao diploma - "alguns dos quais resultantes de aceitação de sugestões da Presidência da República" -, mas justificou a devolução do texto sem promulgação "apontando a frustração da esperança dos professores ao encerrar definitivamente o processo", acrescentando que cria "uma disparidade de tratamento entre o Continente e as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira".

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