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Correio da Manhã

Política

Montenegro distancia-se de Rio e troca parlamento por televisão

Ex-líder parlamentar avisa que PSD não pode ser bengala do PS.
Diana Ramos 18 de Fevereiro de 2018 às 01:30
 Luís Montenegro
Nuno Morais Sarmento discursa no 37º Congresso Nacional do PSD
Rui Rio
37º Congresso do PSD
 Luís Montenegro
Nuno Morais Sarmento discursa no 37º Congresso Nacional do PSD
Rui Rio
37º Congresso do PSD
 Luís Montenegro
Nuno Morais Sarmento discursa no 37º Congresso Nacional do PSD
Rui Rio
37º Congresso do PSD
O ex-líder parlamentar do PSD sai temporariamente de cena, mas Luís Montenegro regressará ao palco político para disputar a liderança. E, nessa altura, sem "pedir licença a ninguém". Avisando que para já não será "oposição interna" ao líder, Montenegro desafiou Rio e não poupou críticas à forma como o ex-autarca geriu o percurso até à liderança do partido.

O deputado começou por anunciar que sairá do Parlamento a 5 de abril, quando cumpre 16 anos de atividade parlamentar. O ex-líder parlamentar vai dedicar-se ao comentário político e passar mais tempo com a família: um período de nojo do consulado de Passos Coelho, sem abandonar o palco político. Aos militantes, o ainda deputado justificou que não avançou com uma candidatura à liderança por um "exercício de liberdade".

"Não fui eu que estive à espera de disputar a liderança do PSD entre desejos alternantes de ser primeiro-ministro ou Presidente da República", atirou. E "para aqueles que lhe querem colar o selo de falta de coragem, que o façam", adiantou o ex-líder parlamentar, frisando que "há alguém que deve ter a caderneta cheia", numa alusão às hesitações de Rio sobre o momento de concorrer à presidência do partido.

Se dúvidas houvesse sobre quem era o destinatário do recado, Montegro foi ainda mais explícito: "Acusar de falta de coragem alguém que passou os dez últimos anos, não no sofá ou numa cadeira de resguardo da refrega política, mas a dar o corpo às balas, a defender com unhas e dentes o partido e garantindo a coesão do PSD, é inusitado e injusto."
Sobre o futuro no partido, Montenegro assumiu que terá uma palavra a dizer nos próximos anos: "Desta vez decidi não, se algum dia entender dizer sim, já sabem, eu não vou pedir licença a ninguém."

Antes de lembrar que não quer ver o PSD a "servir de bengala" ao PS após as legislativas, Montenegro fez um pedido ao novo líder. Recuperando as palavras do ex-autarca no dia em que ganhou as diretas, Montenegro desafiou-o a "não deixar que o PSD se transforme no grupo dos amigos do Rui Rio ou na agremiação dos interesses do Rui Rio". "Sei que se irá afastar da intrigalhada e da mesquinhez política", rematou o parlamentar.

Ex-bastonária dos advogados é a surpresa 
A escolha de Elina Fraga, ex-bastonária da Ordem dos Advogados, para a vice-presidência do PSD foi a surpresa entre os nomes escolhidos por Rui Rio para a Comissão Política Nacional. Isto depois de uma auditoria ao mandato de Elina Fraga ter apontado o incumprimentos do Código da Contratação Pública, violações dos estatutos e falta de controlo orçamental, com um "crescimento significativo nos gastos de 2015 para 2016", no valor de 1,3 milhões de euros.

Apesar de Rui Rio ter tentado consensualizar as listas para os órgãos nacionais com Santana Lopes, são várias as distritais descontentes com o novo líder. Algumas delas até apoiaram Rio nas eleições diretas, como foi o caso de Viseu e do Porto.

Para o núcleo duro, além de Elina Fraga, Rio escolheu também Nuno Morais Sarmento, ex-ministro, Isabel Meirelles, que foi candidata do PSD à Câmara de Oeiras, David Justino, ex-ministro da Educação, Salvador Malheiro, autarca de Ovar, e Castro Almeida, ex-secretário de Estado.

Alberto João Jardim promete "bengaladas" 
O ex-presidente do governo da Madeira Alberto João Jardim prometeu "bengaladas" aos militantes do partido se se mantiverem as "guerras de alecrim e manjerona". 

Jardim apelou ainda a Marcelo que não seja um Presidente "situacionista, mas que seja capaz de fazer um referendo em Portugal sobre a Constituição". "Agora, mais do que nunca, vamos unir-nos", disse o histórico do partido.
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