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Não ficou nada do 25 de Abril

O Nobel da Literatura José Saramago considerou ontem, durante uma homenagem ao antigo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, que “não restou nada, rigorosamente nada” do 25 de Abril em Portugal e que nem a democracia é uma herança directa da revolução, pois “a Espanha não fez nenhuma e é um país democrático”.

12 de junho de 2006 às 00:00

Junto ao túmulo do “companheiro Vasco”, no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, no dia em que se celebra um ano da sua morte, o escritor, visivelmente sensibilizado, sublinhou: “Este foi um homem muito mal tratado por aqueles que tinham obrigação de o respeitar e ele merecia esse respeito. Só tenho pena de não ter escrito as suas memórias”, acrescentou lembrando o seu “bom amigo” da juventude.

Presente na pequena homenagem esteve também o actor Morais e Castro, que lembrou com saudade o antigo governante: “Além de o admirar muito como homem, pessoa e revolucionário, tinha a honra de ser amigo dele.”

Durante a breve cerimónia foi ouvido o hino nacional, seguido de cânticos revolucionários relacionados com o 25 de Abril.

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