“Não há democracia sem Forças Armadas”, sublinha Marcelo no 5 de outubro.
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O caso das armas furtadas dos paióis de Tancos e as suspeitas de um envolvimento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, numa operação da PJ Militar ‘abafaram’ por completo as comemorações do 5 de Outubro, com o Presidente da República a aproveitar para lançar um alerta: "Não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas", disse Marcelo Rebelo de Sousa, durante o discurso oficial na praça do Município, em Lisboa, perante o olhar atento do primeiro-ministro, António Costa.
Depois de afirmar que "todos os dias se constrói ou destrói a democracia" e que "todos os dias se constrói ou destrói o 5 de Outubro", o Chefe de Estado avisou ainda que as "divisões fratricidas", as "debilidades partidárias" e o "tratamento errado das Forças Armadas" podem pôr em causa o 5 de Outubro. Isto, sem nunca referir o caso de Tancos. Só mais tarde, a bordo do Navio-Escola Sagres, é que Marcelo falou diretamente da polémica: "A investigação está a prosseguir os seus trâmites. Devemos acompanhar aquilo que está a ser feito, não interferindo, respeitando e olhando depois para as conclusões", defendeu.
Também à margem das comemorações do 5 de Outubro, o primeiro-ministro afirmou que, sobre o furto de material militar, "falta esclarecer muita coisa, desde logo a captura dos ladrões". O chefe do Executivo considerou ainda "que os portugueses têm boas razões para confiar na Justiça e confiar que as investigações chegam até ao fim". Por fim, Costa manifestou confiança em Azeredo Lopes . "Já desmentiu categoricamente que tivesse tido qualquer informação de qualquer encenação ou prática ilegal." O ministro da Defesa esteve ausente de todas as cerimónias, mas fonte oficial do gabinete garantiu ao CM que Azeredo Lopes nunca participou no 5 de Outubro desde que tomou posse. "Aproveitou para estar em família."
Chefe do Estado-Maior do Exército mantém-se em silêncio
u Um dia depois de o presidente do PSD, Rui Rio, ter dito que lhe custava a "acreditar que o chefe de Estado-Maior do Exército não tenha tido conhecimento de nada", o general Rovisco Duarte voltou a remeter- -se ao silêncio sobre a polémica de Tancos.
"Não vou comentar absolutamente nada", disse de imediato aos jornalistas à chegada à praça do Município. Quando questionado sobre qual o momento em que quebrará o silêncio, o CEME foi perentório: "Vamos assistir às comemorações [do 5 de Outubro], hoje é um dia de festa." Rovisco Duarte tem sido alvo de contestação interna e há quem admita que não venha a ser reconduzido no final do mandato, em abril de 2019.
Esta sexta-feira, o ‘Sol’ dava conta de que há um mal-estar nas Forças Armadas em relação ao próprio ministro da Defesa e à forma como foi anunciado o novo diretor da PJ Militar.
Armas roubadas em dia de jogo da seleção nacional
Os assaltantes aproveitaram a distração das tropas com o jogo Portugal-Chile, a 28 de junho de 2017, para realizarem o furto em Tancos. Segundo o semanário ‘Sol’ , enquanto decorria o jogo da seleção, João Paulino, ex-fuzileiro, e os seus cúmplices, também antigos militares, munidos de informação privilegiada - sabiam que o sistema de videovigilância não estava a funcionar – aproveitaram para cortar a vedação do edifício, pularam a cerca e arrombaram dois paiolins.
Ameaças de morte travam denúncia à Polícia Judiciária
Vasco Brazão, da Polícia Judiciária Militar (PJM), disse em tribunal que o guarda Bruno Ataíde foi ameaçado de morte por João Paulino, ex-fuzileiro, caso a Judiciária fosse envolvida. Garantiu que não prendeu o informador porque esperava que o caso fosse devolvido à PJM após a mudança da PGR, diz a RTP.
DEPOIMENTOS
Rui Rio, Presidente do PSD
"Cerimónia para reafirmar os valores da República" "Estas cerimónias servem para reafirmar alguns valores, neste caso os valores da República e já agora também os valores da democracia. Se não tiverem nenhuma novidade, não há problema nenhum, desde que se reafirmem esses valores."
Carlos César, líder parlamentar do PS
"Dificilmente o ministro pode ter responsabilidade"
"Estes incidentes têm de ser resolvidos e retiradas as consequências políticas, mas o importante é preservar as nossas Forças Armadas, a dignidade do Estado. (...) Dificilmente o ministro pode ter responsabilidades sobre isso."
Assunção Cristas, Presidente do CDS-PP
"CDS-PP quer toda a verdade descoberta"
"Noto um discurso [do Presidente] com preocupação de futuro (...). O CDS quer que toda a verdade de Tancos seja descoberta, que todas responsabilidades políticas sejam apuradas, por umas Forças Armadas credíveis e reabilitadas."
Pedro Filipe Soares, Líder parlamentar do BE
"Investigação deve chegar a bom porto rapidamente"
"A Justiça não deve ser impedida de funcionar. A investigação está a avançar e deveria chegar a um porto rapidamente porque este é um caso demasiado grave para se demorar muito tempo a tirar as conclusões."
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