Os dois novos ministros do Governo de Durão Barroso tomaram ontem posse numa cerimónia que decorreu no Palácio de Belém e que foi presidida por Jorge Sampaio.
No final da cerimónia, o primeiro-ministro destacou a “grande experiência” de Carmona Rodrigues, que assumiu a pasta das Obras Públicas, e mesmo do desconhecido Amílcar Theias, o novo ministro das Cidades Ordenamento do Território e Ambiente.
A cerimónia contou com a presença de todos os ministros e secretários de Estado do Governo, incluindo os dois demissionários, Isaltino de Morais e Valente de Oliveira, que cumprimentaram os seus sucessores minutos depois de o presidente da República os ter empossado.
Durão Barroso manifestou-se satisfeito com a forma como ficou resolvida aquela que foi a primeira remodelação do Executivo. O primeiro-ministro sublinhou que estas escolhas salvaguardam “o interesse nacional” e destacou a “grande experiência dos novos ministros que vão manter a obra” do Governo, cujo primeiro ano de actividade se assinala hoje com um Conselho de Ministros extraordinário em Fronteira, Alentejo (ver págs. 32, 33 e 34)
Outro dos presentes na cerimónia de tomada de posse dos novos ministros foi o presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, que revelou ainda não ter escolhido um substituto para Carmona Rodrigues – até agora vice-presidente da autarquia. Santana Lopes esteve acompanhado por Frank Ghery, o famoso arquitecto canadiano encarregue de elaborar um projecto para o Parque Mayer.
Esta remodelação governamental teve origem, recorde-se, na demissão de Isaltino de Morais que abandonou o Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente na sequência da vinda a público de notícias sobre a existências de contas na Suíça não declaradas ao fisco. Valente de Oliveira já há algum tempo que tinha pedido para deixar o Ministério das Obras Públicas por motivos de saúde, tendo ficado a aguardar pelo momento oportuno. Momento este que se proporcionou com a demissão de Isaltino.
Em declarações aos jornalistas no final da tomada de posse do seu sucessor, Isaltino de Morais lembrou que já tinha 90% do seu património antes de se ter tornado presidente da Câmara de Oeiras. O ex-autarca e ex-ministro referiu desconhecer se está a ser alvo de uma investigação por parte da Polícia Judiciária, mas considerou uma acção de tal ordem importante para que “se esclareçam todas as dúvidas”.
O novo ministro das Obras Públicas, António Carmona Rodrigues, tem 45 anos e doutorou-se em Engenharia Ambiental e é especialista em assuntos hídricos.
Antes de tomar posse, Carmona Rodrigues ocupava a vice-presidência da Câmara de Lisboa e dava aulas na Faculdade de Ciências e Engenharia do Ambiente da Universidade Nova de Lisboa. Ao tomar posse, o novo responsável pelas Obras Públicas afirmou ter ganho alguma prática na Câmara e estar “preparado para lidar com os lóbis”. Por seu lado, Amílcar Theias, de 56 anos, economista, mostrou-se muito mais reservado e nervoso. O novo ministro das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente foi director-geral do Secretariado-Geral do Conselho de Ministros da UE e desempenhou vários cargos na OCDE e EFTA.
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