Sobre as críticas de que a sua liderança tem sido alvo, Nuno Melo disse que "gostava era de ver quem fizesse melhor".
O presidente do CDS-PP e recandidato à liderança considerou esta quarta-feira que é tempo de o partido "ganhar músculo" para se tornar "mais forte e mais afirmativo" e respondeu aos críticos dizendo que "gostava de ver quem fizesse melhor".
Nuno Melo falava aos jornalistas na sede do CDS-PP, em Lisboa, antes de apresentar aos militantes do partido a moção de estratégia global que apresenta ao 32.º Congresso do CDS-PP, intitulada "Tempo de futuro".
O líder centrista afirmou que esta moção consolida um caminho iniciado em 2022 e que "demonstrou o CDS como um partido fundamental numa direta que soma, mas que também é responsável, garantindo estabilidade ao serviço de Portugal".
Nuno Melo destacou os resultados eleitorais do partido nas várias eleições -- quase sempre coligados com o PSD -- e considerou que "aventureirismo trouxe maus resultados ao CDS e a responsabilidade é o que se espera de um partido que, somando à direita, faz diferença".
O recandidato à liderança justificou a ausência de referências a próximos desafios eleitorais na sua moção, argumentando que nos próximos dois anos, sem eleições à vista, o partido poderá estar "mais virado para dentro, para a consolidação e reforço das estruturas locais, preparando-se para outros desafios eleitorais".
"Se disputamos com muita coragem, em circunstâncias difíceis, todas as eleições e tivemos bons resultados, temos agora tempo também de reforçar e ganhar músculo para, em relação ao futuro, podermos ter uma expressão de confiança que é ainda de maior dimensão", acrescentou.
Sobre as críticas de que a sua liderança tem sido alvo, particularmente sobre a falta de afirmação do CDS-PP na coligação, Nuno Melo disse que "gostava era de ver quem fizesse melhor".
"Eu gostava de ver quem tivesse pegado em 2022 num partido que estava fora do parlamento, com encargos financeiros relevantes, sem subvenção, sem tempo de antena, sem poder participar em debates televisivos, e hoje, em dois anos, tendo disputado todas estas eleições, com ganho de casa em todas elas", salientou, dizendo ver "a marca do CDS em todo o lado", e que lidera um partido que "faz muita diferença".
Na moção, à qual a agência Lusa teve acesso, Nuno Melo, que lidera o CDS-PP desde 2022, assinala ainda o regresso do partido ao parlamento e ao Governo, através da coligação com o PSD, além da presença autárquica (liderando sete municípios e governando em coligação "cerca de 40") e regional, integrando os governos das duas regiões autónomas.
"É a partir desta força que, juntos, faremos nestes próximos dois anos do CDS um partido mais forte e mais afirmativo", indica.
No documento, o líder centrista considera também "imperativo reforçar a implantação territorial do partido, consolidando a sua presença e relevância junto dos cidadãos".
Na moção, Nuno Melo defende igualmente que o partido deve participar no processo de revisão constitucional que será desencadeado pelo Chega, encarando "não como um drama ou ameaça, mas como uma oportunidade" para "melhorar a Constituição, sem procurar satisfazer agendas partidárias, problemas e perceções de momento ou de contexto".
O líder do CDS indica que o partido vai propor a "revogação/revisão do preâmbulo", para que a Lei Fundamental seja "um documento ideologicamente neutro", e promete um debate interno "nos próximos meses", para a apresentação de novas propostas, coordenado pelo grupo parlamentar.
A moção destaca ainda o trabalho feito pelo partido na Assembleia da República e no Governo, nomeadamente nas duas áreas em que o partido tem responsabilidades, na Defesa e Administração Interna.
A nível parlamentar, a moção de Nuno Melo destaca o trabalho feito nas várias áreas e indica que, nos próximos dois anos, o Grupo Parlamentar do CDS "estará firmemente empenhado em seguir o caminho que tem feito para defender a natalidade, assegurando sempre que toda a vida tem dignidade" e "reiterará o compromisso de proteger a educação e a autonomia das famílias, assumindo um papel fundamental na luta contra o 'wokismo' e todas as formas de ataque à natureza humana" e, ainda, vai pugnar para que o Governo continue "o caminho de redução de impostos".
O próximo congresso do CDS-PP vai decorrer nos dias 16 e 17 de maio, em Alcobaça. É também candidato à liderança o antigo deputado Nuno Correia da Silva.
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