Despacho está concluído. Ana Paula Vitorino contou no processo a conversa que manteve com Vara e Mário Lino. Pressionaram-na para resolver litígio com a Refer.
Ana Paula Vitorino contou no processo ‘Face Oculta’ que Armando Vara e Mário Lino lhe pediram para resolver os litígios do empresário da sucata com a Refer para que aquele pudesse voltar a negociar com a empresa pública. "O senhor Godinho é amigo do PS", terão dito Mário Lino, ex-ministro das Obras Públicas, bem como o administrador do Millennium BCP, à então secretária de Estado dos Transportes.
Ana Paula Vitorino entendeu o "recado" como pressão, e revelou--o às autoridades. As suas declarações servem agora para sustentar os factos contra o ex-ministro do PS Armando Vara na acusação que foi ontem deduzida pelo Ministério Público de Aveiro.
Segundo o Correio da Manhã apurou, o documento final que compila os crimes pelos quais os arguidos vão responder é muito extenso e foi concluído ao princípio da tarde de ontem.
Os CD com o suporte digital das mesmas acusações só hoje serão enviados por correio para os defensores e para os réus, atendendo a que o processo se encontrava ao final da tarde no gabinete do juiz para conhecimento do despacho final.
Armando Vara será um dos acusados, devendo o crime por que irá responder ser o de tráfico de influências. As autoridades acreditam mesmo que recebeu dinheiro de Manuel Godinho para exercer pressões junto de decisores políticos e de empresas públicas no sentido de aquele poder fazer contratos com as mesmas.
No caso da Refer, a situação de litígio com a O2 era entendida como grave por ser a principal "fonte de riqueza" do sucateiro de Ovar.
O processo judicial que mantinha com a empresa pública impedia Manuel Godinho de concorrer a concursos, e por isso mesmo este terá pedido a intervenção de Armando Vara para se sanar o litígio.
Recorde-se ainda que antes de ser proferido o acórdão da Relação do Porto que dava razão a Manuel Godinho, o sucateiro foi informado do seu conteúdo. Uma escuta telefónica gravada pela Polícia Judiciária de Aveiro e que tinha como protagonistas Armando Vara e Manuel Godinho prova-o. Essa situação está a ser investigada num processo autónomo.
Quanto ao despacho final do Ministério Público, desconhece-se ainda o número exacto de arguidos. O CM sabe no entanto que o Ministério Público irá pedir a manutenção da prisão preventiva de Manuel Godinho. O sucateiro é acusado de vários crimes.
SÓCRATES SABIA DAS PRESSÕES A ANA VITORINO
José Sócrates tinha conhecimento das pressões que estavam a ser exercidas sobre Ana Paula Vitorino. Numa das várias conversas telefónicas entre Lopes Barreira e Manuel Godinho interceptadas pela PJ, o nome do primeiro-ministro é referido. Naquela conversa, Lopes Barreira fala nas diligências que está a fazer relativamente à Refer e diz a Godinho que o assunto é do conhecimento de Armando Vara, Mário Lino e José Sócrates.
Numa outra escuta, o quadro da Refer Carlos Vasconcelos diz a Manuel Godinho que a resolução do problema contencioso poderia ter como contrapartida a entrega de um donativo para uma campanha partidária. No caso, do PS.
AMIGO DE VARA PRESSIONA
O consultor Lopes Barreira agiu a mando de Armado Vara para resolver o conflito judicial entre a Refer e as empresas de Godinho. É neste processo que a ex-secretária de Estado dos Transportes Ana Paula Vitorino se transforma num obstáculo. Ana Paula opõe-se à destituição de Luís Pardal da administração da Refer e põe inclusive em risco o seu cargo no Governo. Vários contactos foram feitos para convencer a secretária de Estado.
Segundo a investigação, a 2 Abril de 2009 Lopes Barreira diz a Manuel Godinho que vai almoçar com Ana Paula Vitorino para tratarem da questão judicial, salientando que o presidente da Refer é um "impasse" para concretizar os negócios.
Em Junho de 2009, Lopes Barreira comunica a Manuel Godinho que falou com o ministro Mário Lino e que Ana Paula Vitorino quer marcar um almoço. Não se sabe se aquele encontro se realizou. Mais certo parece ter sido uma reunião entre Lopes Barreira e Mário Lino, realizada em casa do consultor. O amigo de Armando Vara, também arguido, fez vários outros contactos para facilitar os negócios de Godinho.
INVESTIGAÇÃO DISCRETA E SEM CEDER A PRESSÕES
Teófilo Santiago liderou a investigação da PJ de Aveiro. É um dos mais prestigiados quadros da Polícia Judiciária e não cedeu a qualquer pressão política, mesmo quando se multiplicaram os ataques à investigação. É assinado pelo próprio o pedido ao MP de Aveiro para investigar José Sócrates e prosseguiu com a investigação de uma forma serena quando viu os seus intentos serem recusados. Nos últimos meses reforçou a equipa para que o processo terminasse.
PEDIU PARA INVESTIGAR O PRIMEIRO-MINISTRO
Pouco dado a protagonismos, João Marques Vidal, filho de um dos mais carismáticos ex-directores da Polícia Judiciária, acabou por ser figura central no processo ‘Face Oculta’. Deu provimento a todos os pedidos da Polícia Judiciária e foi ele quem dirigiu ao PGR o pedido para investigar José Sócrates por atentado contra o Estado de Direito. Embora não fosse o titular do processo – a investigação foi dirigida pelo procurador Carlos Filipe – deu a cara nos momentos de tensão.
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