Autonomia de PCP e BE não passam de "manobras de diversão e de engodos".
O PSD considerou esta terça-feira que o atual executivo é "um verdadeiro Governo de unidade das esquerdas", sublinhando que os "arrufos" entre PS, PCP e BE nada mais são do que "manobras de diversão e engodos para confundir os mais distraídos".
"Neste orçamento nem tudo é mau, este orçamento tem apesar de tudo uma virtude política, não é no seu conteúdo, mas tem uma virtude política: a de pôr fim, de uma vez por todas, a uma farsa e a de demonstrar de uma vez por todas que nós não temos em Portugal um executivo do PS, temos um verdadeiro Governo de unidade das esquerda", disse o deputado do PSD José Matos Correia, no encerramento do debate no parlamento do Orçamento do Estado para 2017.
Pois, acrescentou, as atitudes de pretensa autonomia que PCP e BE ensaiam face aos socialistas, não passam de "manobras de diversão e de engodos" para confundir os mais distraídos.
"No fundo não são mais do que arrufos de namorados que visam, quiçá, apimentar a relação", gracejou.
Arrufos que, contudo, não chegam para esconder que o Governo está assente numa coligação de quatro partidos (PS, PCP, BE e PEV) que têm um programa politico comum.
"Um Governo em que todos materialmente participam, com a originalidade formal de um o integrar e dos outros três fingirem que estão de fora. Um governo que atesta, sobretudo, que a confluência ideológica dos quatro partidos só possível pela progressiva radicalização do PS", acrescentou.
No encerramento da discussão do OE para 2017, José Matos Correia não deixou de fora a polémica da Caixa Geral de Depósitos, considerando que o processo que agora culminou na demissão do presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos ficará "nos anais da história política como um ?case study' de incompetência, de menosprezo pelo interesse público, de desrespeito pela regras mais basilares do Estado de direito".
Atribuindo o impasse em que está o banco público há um ano à "culpa exclusiva" do atual Governo, o deputado do PSD exigiu que alguém assuma a responsabilidade pela "gestão desastrosa" do 'dossier' e que daí se retirem "as indispensáveis consequências políticas", porque a questão é demasiado grave para "a culpa morrer solteira ".
Numa intervenção em que reiterou a conclusão de que a receita do atual Governo "falhou", apresentando números para demonstrar as divergências entre as metas propostas e os resultados alcançados, nomeadamente na economia, José Matos Correia retomou igualmente as acusações de eleitoralismo do Governo, lembrando a proposta de aumentar extraordinariamente as pensões em agosto, em vésperas das eleições autárquicas.
"O que querem fazer chama-se eleitoralismo, chama-se oportunismo, chama-se, sobretudo, falta de vergonha", sublinhou.
Já no fim dos discursos, José Matos Correia recorreu ao conto infantil "Alice no País das Maravilhas", lendo um diálogo entre Alice e o gato sobre o caminho que a personagem principal deve seguir, com o gato a dizer que não importa o trajeto se não interessa para onde se vai.
"Ignoro se o autor alguma vez terá ponderado acerca da aplicabilidade deste diálogo à política, mas o texto descreve na perfeição a atitude deste Governo e desta maioria: este é um Governo e uma maioria para quem o movimento é tudo e o fim é nada, um Governo e uma maioria para quem o futuro não importa porque só estão preocupados com o dia de hoje, um Governo e uma maioria para quem qualquer trajeto serve, porque verdadeiramente não têm a mínima ideia para onde querem ir", disse.
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