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Da bola de fogo ao ‘blackout’ de comunicações: como se preparou o regresso da missão Artemis?

Antes da amaragem no Pacífico, a NASA prevé momentos críticos. Nave e controladores estarão sem conseguir contactar-se.

10 de abril de 2026 às 20:41

Longe vão os tempos em que a reentrada de naves (no caso, o vaivém espacial) era parecida à aterragem de um avião, numa pista convencional. A chegada é agora feita no mar, mas nem por isso o momento, que vai acontecer esta madrugada às 1h07 (hora de Portugal continental, 17h07 na Califórnia) deixa de ser crítico, exigindo uma preparação ao detalhe.

A bordo da cápsula ‘Orion’, os astronautas da missão Artemis II prepararam-se para enfrentar quase 3000 ºC de temperatura. A pressão na reentrada é tanta que a sensação foi descrita pelo astronauta Victor Glover como “viajar montado numa bola de fogo pela atmosfera”. Assumiu ainda que pensa neste momento há três anos, desde que foi selecionado para a missão.

Como forma de proteção deste momento, os quatro astronautas levam instruções para fechar as cortinas da janelas e ficar dentro dos fatos espaciais.

Para que tudo corra como planeado, a NASA teve de fazer uma série de manobras de reajuste da nave, colocando-a na posição correta para o regresso a casa. Pelo meio, o módulo de serviço, onde estavam os painéis solares destinados a dar energia à nave e outros componentes, acabará por se separar. A expectativa é que este módulo se desintegre sozinho na atmosfera e caia sozinho na Terra.

Mas ‘cair do céu’ a mais de 11 quilómetros por segundo (quase 40 mil km/h) tem ainda outra altura crítica. Cerca de 24 segundos após começar a percorrer os quase 122 mil quilómetros desde a reentrada até ao mar, está previsto um ‘blackout’. Neste momento, os astronautas e o centro espacial, em Houston, Texas (EUA), já sabem que não vão comunicar. A previsão é de que este momento dure seis minutos. Só depois de tudo isto os paraquedas poderão ser abertos para travarem a nave antes da amaragem no Oceano Pacífico, ao largo de San Diego, na Califórnia.

E TAMBÉM

Apenas 13 minutos

Ao todo, o processo de reentrada é rápido. Depois de 10 dias de viagem, bastavam, nas contas da NASA, apenas 13 minutos para os astronautas voltarem a estar, oficialmente, na Terra. Segundo o diretor de voo de reentrada da Artemis II, o processo irá “começar depressa e acabar ainda mais depressa”. Dos 13 minutos, seis serão passados sem comunicações.

Novo recorde

A missão Artemis bateu vários recordes durante o período de viagem. E também está previsto que tal aconteça na reentrada, com a cápsula ‘Orion’ a superar o recorde de velocidade máxima da missão Apollo 10, que aconteceu em 1969. Esta maior velocidade significa também uma maior pressão no escudo de calor da nave.

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