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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

País está "numa espécie de festa" desde a posse de Marcelo

Declarações de Eduardo Lourenço.

18 de maio de 2016 às 22:06

O ensaísta Eduardo Lourenço disse esta quarta-feira que Portugal está "numa espécie de festa" desde a posse de Marcelo Rebelo de Sousa e alertou que "as coisas mais difíceis" vão surgir, confiando nas capacidades do Presidente da República.

Eduardo Lourenço falava à agência Lusa depois de receber o Prémio Vasco Graça Moura -- Cidadania Cultural, que decorreu ao final da tarde no auditório do Casino Estoril, em cerimónia presidida por Marcelo Rebelo de Sousa.

Questionado sobre como tem acompanhado os primeiros meses de mandato do Presidente da República, o também conselheiro de Estado respondeu: "É uma espécie de festa em que o país está, e ele [Marcelo] com ele [país]. Todas as festas terminam. Depois vêm as coisas mais difíceis de gerir".

No entanto, Eduardo Lourenço sublinhou que o país poderá contar com Marcelo Rebelo de Sousa, que descreveu como uma pessoa "muito desenrascada", "muito desenvolta" e com "muita experiência cultural e política", qualidades que considera "importantes para que o país siga em frente".

Sobre o facto de ter passado a integrar o Conselho de Estado, Eduardo Lourenço reconheceu que não estava à espera, "de maneira nenhuma", do convite de Marcelo Rebelo de Sousa, admitindo que ainda está a tentar perceber "exatamente" o seu "papel".

Prestes a completar 93 anos, Eduardo Lourenço venceu, entre outros, o Prémio Pessoa, em 2008, e o Prémio Camões, em 1995. Apesar de hoje ter "evocado não só um amigo, mas também um grande poeta", o ensaísta diz que o Prémio Camões continua a ser o maior símbolo daquilo que o país é como "língua e cultura".

"Mas todos [os prémios] festejam sobretudo a vitalidade da nossa cultura e sobretudo da nossa poesia", afirmou.

Esta foi a primeira edição do galardão instituído pela Estoril Sol, em parceria com a editora Babel, em homenagem à memória do escritor e político Vasco Graça Moura, falecido em abril de 2014. O prémio tem a periodicidade anual e o valor pecuniário de 40 mil euros.

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