Direita acusa a esquerda de impor controlos às rendas e esquerda acusa a direita de desregulação total.
O parlamento debateu esta sexta-feira projetos de várias bancadas para reforçar o arrendamento habitacional, com os partidos de direita a acusar os de esquerda de impor controlos às rendas e estes a acusarem os de direita com a desregulação total.
Durante o debate, o PSD acusou os anteriores executivos do PS de terem agravado a crise da habitação durante os seus oito anos no poder, e a bancada socialista afirmou que o PSD ainda nada fez para resolver o problema em dois anos de governação.
O deputado social democrata Alexandre Poço recordou que, no primeiro ano de aplicação da medida, 25 mil jovens compraram casa com garantia pública do Estado, e que 77 mil jovens adquiriram habitação própria beneficiando da isenção de IMT e imposto de selo.
Além disso, o Governo PSD/CDS entregou 18 mil casas de habitação pública, estando em curso o lançamento de um novo pacote de medidas para desbloquear heranças indivisas, agilizar despejos e reforçar o arrendamento habitacional.
O PS retorquiu que os governos de António Costa não ignoraram o problema, tendo "iniciado um caminho que precisava de continuidade" através do aumento de habitação pública acessível e da mobilização dos poderes público e privado para aumentar a oferta habitacional.
Na apresentação do projeto de lei do PCP, que impõe limites de 2% ao aumento das rendas nos novos contratos de arrendamento, a deputada deste partido Paula Santos criticou o anúncio que o Governo fez na quinta-feira sobre resolução de bloqueios nas heranças indivisas e aceleração dos despejos para libertar casas para o arrendamento.
"O que o Governo anunciou ontem vai atirar ainda mais famílias para a rua", disse.
Para a deputada comunista, os despejos não resolvem o problema da habitação e apenas "favorecem os interesses dos fundos imobiliários e dos grandes proprietários".
Acusou ainda o Governo de "desbaratar património público", e deu como exemplo o anúncio da venda de um edifício do Estado nas Avenidas Novas, em Lisboa, por um preço de 1.943 euros por metro quadrado quando o valor médio na zona é de 7.159 euros por metro quadrado.
A deputada social democrata Margarida Saavedra respondeu à bancada do PCP afirmando que o direito à habitação cumpre-se com o reforço da oferta pública, recuperação do património devoluto e envolvimento da iniciativa privada.
Afirmou ainda que os governos do PS deixaram "um défice de 300 mil casas no mercado de arrendamento", tendo criado condições para o regresso dos bairros clandestinos às periferias das cidades.
Já o deputado do CDS-PP, Paulo Núncio, acusou os partidos de esquerda cujas iniciativas preveem o controlo das rendas (PCP, Livre e BE), de estarem a prescrever "uma receita para o desastre".
Disse que as tentativas de controlo de rendas criadas em cidades como Barcelona e Amesterdão apenas fizeram com que "milhares de casas fossem retiradas do mercado e as rendas aumentassem".
"Limites artificiais às rendas e preços dão sempre o mesmo resultado: falta de oferta de casas", acrescentou.
Além dos projetos de PCP, Livre e BE, serão votadas esta sexta-feira na generalidade iniciativas da IL, prevendo o descongelamento das rendas anteriores a 1990, do Chega, reduzindo para 5% a taxa de IRS do senhorios, e do PAN, a reforçar a proibição da discriminação no acesso ao arrendamento para quem detém animais de companhia.
O debate parlamentar de esta sexta-feira decorre um dia após o Conselho de Ministros ter aprovado novas alterações às leis do arrendamento, com vista a contornar o impasse na resolução de heranças indivisas e a tornar mais céleres os despejos habitacionais.
Os diplomas do Governo serão apresentados aos partidos na próxima semana, segundo anunciou o ministro da Presidência, Leitão Amaro, no final da reunião do executivo.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.