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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Parlamento discute hoje eliminação do conceito de violência obstétrica

Conceito está incluído na lei que "promove os direitos da mulher na gravidez e no parto".

11 de julho de 2025 às 07:21

A Assembleia da República discute esta sexta-feira se o conceito de violência obstétrica, incluído na lei que "promove os direitos da mulher na gravidez e no parto", deve ser eliminado.

A discussão partiu da entrega em junho de um projeto de lei do CDS-PP que sugeriu a revogação da lei aprovada em março a partir de propostas do Bloco de Esquerda e do PAN. Além do projeto do CDS, esta sexta-feira serão também discutidos e votados projetos de lei do PSD, do PAN e do Livre relacionados com este assunto.

No segundo artigo da lei, são considerados como violência obstétrica os atos físicos e verbais exercidos por profissionais de saúde que tenham como base um comportamento desumanizado, abuso de medicalização ou "patologização dos processos naturais, desrespeitando o regime de proteção", desde a preconceção até ao nascimento.

Esta lei permitiu também a criação de um enquadramento legal para a episiotomia [um corte no períneo para ampliar o canal de parto], promovendo a sua erradicação como prática rotineira, tal como recomenda a Organização Mundial de Saúde.

Agora, o CDS-PP propõe que a lei seja revogada, eliminando o conceito de violência obstétrica, por considerar que o mesmo "não está alinhado com os padrões seguidos noutros países da União Europeia". O PSD referiu no respetivo projeto de lei que o atual conceito é "excessivamente lato e indesejavelmente vago".

Por outro lado, o Livre pretende alargar a definição legal de violência obstétrica para que o conceito passe a incluir "todas as formas de abuso físico, verbal, psicológico e emocional, assim como práticas institucionais".

O PAN vai mais longe e sugere que o conceito de violência obstétrica passe também a incluir - além daquilo que foi sugerido pelo Livre - qualquer condicionamento de escolha das mulheres, administração de medicamentos sem informação consentida e perdas de mobilidade e autonomia.

Durante a semana, mais de 20 associações criticaram as propostas do CDS-PP e do PSD e, considerando que a revogação da lei seria um "ato de violência institucional" e seria "proteger práticas desumanas".

Também a Associação Portuguesa de Mulheres Juristas (APMJ) considerou que a revogação da lei sobre os direitos da mulher na gravidez e no parto representaria "um grave retrocesso", mas defendeu que a sua redação deveria ser aperfeiçoada.

Já em abril, a propósito da aprovação desta lei, a Ordem dos Médicos pediu a sua revogação, alegando que a mesma foi mal redigida e que os profissionais de saúde não foram ouvidos para a sua elaboração.

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