"Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma", afirmou o antigo primeiro-ministro.
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho classificou esta terça-feira como absurda e irrealista a proposta do Chega de baixar a idade da reforma e, sem fechar portas sobre o seu futuro, voltou a considerar improvável um regresso à vida política.
Segundo relatos à Lusa de uma intervenção à porta fechada para estudantes da Nova SBE (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), sobre "Portugal e o Futuro", Passos reiterou que o atual Governo PSD/CDS-PP tem demorado "demasiado tempo" a mostrar resultados, apontando como exceção a tentativa de reforma da lei laborar.
"Mas apareceu muito isolada, sozinha, coitadinha. E quando se aparece muito sozinha e é preciso negociar, só se pode negociar ali dentro", afirmou.
Sobre este tema, o antigo líder do PSD criticou a posição do partido liderado por André Ventura, que admitiu que só viabilizaria no parlamento a proposta do Governo se este aceitasse baixar a idade da reforma.
"Além do absurdo e irrealismo - que mostra populismo em excesso -, eu que tanto tenho defendido que o PSD procure a maioria que não tem, com a IL e com o Chega, que são partidos não socialistas... Quando as coisas assumem este caráter, eu pergunto: são não socialistas? Nem os socialistas têm coragem de baixar a idade da reforma", afirmou.
Ao longo de quase duas horas de perguntas e respostas, Passos Coelho foi questionado sobre o seu futuro político, reiterando que "não anda à procura de nada" e que seria "um mau sinal" que tivessem de o ir "buscar ao baú", revelando até uma conversa que teve com o atual primeiro-ministro no verão de 2023.
Na altura, contou, dizia-se que a alternativa a Luís Montenegro passaria ou por si, Passos, ou pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
"Era eu e o Moedas - ainda tinha aparecido há pouco tempo, aqui pela capital, agora já estará um bocadinho mais usado, mas na altura, não estava", ironizou.
O antigo primeiro-ministro confessou que esta conversa até o irritou, tendo deixado um conselho ao então líder da oposição Luís Montenegro.
"É muito simples: sejam competentes e tratem do assunto. Se forem competentes e tratarem do assunto, ninguém vai andar preocupado nem com o Moedas, nem com o Passos Coelho", disse.
Perante a insistência dos alunos sobre uma eventual candidatura a funções políticas, Passos reiterou a sua falta de interesse no cargo de Presidente da República.
"Não é que eu não conseguisse fazer, mas só de pensar que estaria lá cinco anos que fosse, era uma coisa horrível (...) Chefiar um governo era diferente, porque eu saberia o que fazer", disse.
Ainda assim, considerou que "o país mudou muito" desde que deixou essas funções, em 2015, e que "há pessoas que podem ter mais vantagem para poder fazer esse papel".
"Se, porventura, eu vier fazer, é porque tudo o mais falhou. Não é um bom sinal, é porque tiveram de ir ao baú, buscar um gajo antigo para tratar do assunto", disse.
Ainda assim, fez questão de dizer que não fechava "nenhuma porta para o futuro".
"Eu sei que muita gente ficaria encantada se eu dissesse: garanto-vos, nunca mais me candidato. Tipo, como o professor Marcelo, nem que Cristo desça à terra. Não digo nada dessas coisas, mas não acho provável que isso aconteça", disse.
Para Passos Coelho, o provável é que o PSD e o atual primeiro-ministro continuem no poder por uns anos, mas disse não saber "o que é que vai acontecer daqui a dois, quatro ou seis anos".
"Só um tolo é que perde tempo a pensar nessas coisas. Eu não perco tempo a pensar nisso", disse.
Na sua intervenção, voltou a alertar para o problema da sustentabilidade da segurança social que considerou ninguém querer enfrentar, para as dificuldades de integração de muitos imigrantes - que vivem "em servidão" em Portugal - e a criticar o atual modelo de IRS jovem, que classificou como "iníquo", deixando um conselho para que os mais novos tomem conta do seu futuro se querem mudanças reais no país.
"A malta que está na política não tratará. Conheço-os todos. A maior parte da malta que está na política quer estar lá. Quer fazer como o Dr. António Costa, gerir o dia-a-dia. Arranjar empregos para os amigos. Colocar os apoiantes. Controlar. Mandar, ser obedecido. Porquê? Porque essa é a natureza do poder", considerou.
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