Um dia depois de ter negado estar de volta à política ativa, Passos disse não saber "se algum dia voltaria a ser preciso ou não".
O antigo primeiro-ministro social-democrata Pedro Passos Coelho afirmou, este sábado, que "nunca se achou um inútil para a política" e rejeitou excluir um eventual regresso, realçando que se tal acontecer "não será pelas melhores razões".
Na conferência que assinalou o 5.º aniversário do Instituto "+Liberdade", no Museu do Oriente, em Lisboa, Pedro Passos Coelho recuou oito anos, altura em que saiu da liderança do PSD, após ter sido questionado por uma participante na plateia sobre o seu futuro político.
"Não me achei um inútil para a política. E, portanto, nunca disse que nunca mais voltaria a fazer política, porque achei que era absolutamente ridículo estar a comprometer o meu futuro com uma máxima para descansar toda a gente: "Não, os senhores durmam descansados, nunca mais". Acho absolutamente desnecessário fazer declarações dessa natureza", defendeu.
Passos Coelho realçou que tem dito que acha "pouco provável que venha a desempenhar uma função tão ativa" como aquela que teve quando foi chefe de executivo entre 2011 e 2015, salientando que "se isso algum dia se vier a equacionar, não há de ser, seguramente, pelas melhores das razões".
"Porque se tudo correr bem e as coisas correrem de modo que o país esteja satisfeito e o PSD, que está no Governo, esteja satisfeito com o seu desempenho, por que razão é que agora hão de ir ao baú da história", questionou.
Um dia depois de ter negado estar de volta à política ativa, Passos disse não saber "se algum dia voltaria a ser preciso ou não" ou se seria a "pessoa indicada", rejeitando especular, uma vez que não sabe quais serão as circunstâncias.
O antigo governante insistiu, contudo, que "não está a preparar nenhuma candidatura".
"Nem sei quando é que há eleições lá no meu partido. Há de haver um dia destes, daqui a dois anos. E, portanto, essa não é uma questão com que eu esteja a ocupar o meu pensamento", acrescentou.
Sobre o seu afastamento da vida política, em 2017, Passos explicou que decidiu não se recandidatar à liderança do PSD "em grande parte" porque achou que a solução de governo encontrada -- liderada pelo PS e apoiada no parlamento por PCP, BE e PEV, a "geringonça" -- não era do seu agrado e era "politicamente mais barata" pelo facto de estar a liderar os sociais-democratas.
Em segundo lugar, o social-democrata considerou que se transformou, na altura, num "fator limitativo do crescimento do PSD", ainda que não tivesse "nenhum problema" com o seu desempenho no Governo.
"Achei, no entanto, que era preciso dar a oportunidade de mudar a conversa da conversa da 'troika'. E, portanto, achei que devia libertar o PSD dessa conversa. E o PSD libertou-se razoavelmente dessa conversa. Tanto que hoje se sente perfeitamente, ou quase tão perfeitamente, distante já desse tempo quanto a generalidade dos outros partidos. E talvez isso seja positivo", defendeu.
Na plateia estavam algumas figuras da Iniciativa Liberal, como o antigo candidato à Presidência da República, João Cotrim de Figueiredo, Carlos Guimarães Pinto, ou a antiga líder liberal Carla Castro (que entretanto se desvinculou), assim como o socialista João Galamba, que interveio num painel anterior.
À saída da conferência, Passos Coelho foi questionado sobre a situação no Irão, depois de os EUA e Israel terem lançado um ataque militar contra o Irão.
O antigo chefe de executivo disse olhar para a situação com "a preocupação normal que estas situações sempre motivam" e salientou que "a intervenção que foi feita tem uma história e um antecedente" com consequências difíceis de antecipar.
Acrescentou que o Irão não é o seu país, mas "o que se passa lá não é uma coisa que entusiasme qualquer pessoa que se preocupe com os direitos humanos, com a democracia, com a sociedade livre, que não existe".
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