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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Pedro Nuno Santos diz que carta de Luís Montenegro tem "dose de arrogância"

Líder do PS considerou que "seria um erro" adiar para o Orçamento do Estado a solução para grupos da administração pública.

08 de abril de 2024 às 22:14

O líder do PS considerou esta segunda-feira que "seria um erro" adiar e deixar para o Orçamento do Estado para 2025 a solução para grupos profissionais da administração pública, apontando um "dose de arrogância" na resposta do primeiro-ministro à sua carta.

Pedro Nuno Santos deu esta noite uma entrevista à TVI/CNN na qual explicitou que a carta que enviou esta segunda-feira ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi a "concretização de uma declaração" que tinha feito à saída de uma audiência com o Presidente da República.

De acordo com o secretário-geral do PS, a valorização salarial de certos grupos profissionais da administração pública obteve um amplo consenso dos vários partidos na campanha eleitoral e "não há razão" para adiar estas respostas.

Um eventual orçamento retificativo "deve estar limitado a estas matérias" para que não se misture depois com o Orçamento do Estado para o próximo ano "que é muito mais do que isto", disse ainda Pedro Nuno Santos.

"Se querem resolver, o PS está disponível para fazer", salientou, reiterando que "seria um erro deixar estas matérias" para o próximo Orçamento do Estado.

Sobre a resposta que entretanto recebeu de Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos considerou que a "carta não deixa de ter a dose de arrogância" que o primeiro-ministro tem manifestado em casos como a eleição do Presidente do Assembleia da República ou o discurso da tomada de posse.

"Este Governo não tem uma maioria que lhe permita ter essa relação com o PS", disse.

Na manhã desta segunda-feira foi conhecida a carta que Pedro Nuno Santos enviou a Luís Montenegro a disponibilizar-se para negociar um acordo que, em 60 dias, resolva a situação de certos grupos profissionais da administração pública.

Horas depois, esta missiva recebeu uma resposta do primeiro-ministro, que saudou o "exercício de responsabilidade política e compromisso" do líder do PS e comprometeu-se a agendar "oportunamente uma reunião de trabalho" sobre a valorização de carreiras e salários na Administração Pública.

"Aproveito o ensejo para lhe transmitir que oportunamente agendaremos uma reunião de trabalho sobre essa temática, o que deverá acontecer na sequência das negociações com as organizações representativas dos trabalhadores. O tempo e o modo de condução desses processos negociais serão, obviamente, definidos pelo Governo", refere Luís Montenegro, na resposta à carta que lhe foi enviada esta segunda-feira por Pedro Nuno Santos, e a que a Lusa teve acesso.

Em 19 de março, após uma audição com o Presidente da República em Belém, Pedro Nuno Santos tinha-se manifestado disponível para viabilizar um Orçamento retificativo da AD limitado a "matérias de consenso", referindo-se à valorização das grelhas salariais destes grupos profissionais da administração pública até ao início do verão.

Um dia depois, questionado sobre este desafio, Luís Montenegro disse ter registado "com satisfação o sentido de responsabilidade" da comunicação feita pelo secretário-geral do PS, mas escusou-se a responder se estaria disponível para negociar uma viabilização de um eventual Orçamento Retificativo.

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