Líder socialista confirma que não há acordo com o Governo para a viabilização do documento.
"Não chegámos a acordo com o Governo. Resta-nos esperar por conhecer o documento", disse ontem o secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, sobre as negociações para a viabilização do Orçamento do Estado, que os socialistas quiseram que "fossem públicas". Em entrevista à TVI, o socialista defendeu que o partido tem "tempo para determinar o sentido de voto" e que os "recuos" do Executivo em relação ao IRS Jovem e à redução do IRC não são "satisfatórios".
"Tiro o chapéu ao Governo por fingir que houve uma cedência no IRC", ironizou Pedro Nuno Santos. Já quanto ao IRS Jovem considerou que "o Governo teve uma derrota ainda antes de começar a negociação" ao abandonar o seu modelo e ao adotar aquele que era proposto pelo PS, porque "percebeu que a medida era errada".
A disponibilidade do PS para viabilizar "um Orçamento que não é seu" mantém-se e o partido "não quer eleições", assegurou Pedro Nuno Santos, ressalvando, porém, que "evitar eleições a todo o custo não é bom para a democracia". Em caso de chumbo das contas do Estado, o secretário-geral do PS garante não ter "medo de eleições" antecipadas.
O socialista insistiu que "não se pode transportar para o PS a pressão" de viabilizar o Orçamento do Estado, mas sinalizou que o partido "não define o sentido de voto com base naquilo que o Chega possa fazer", isto depois de André Ventura se mostrar disponível para aprovar o documento se essa for a única via para poupar o País a mais uma crise política.
IL pode votar contra
O presidente da Iniciativa Liberal, Rui Rocha, garantiu ontem que "é evidente que não votaremos a favor deste Orçamento", deixando para depois de conhecer o diploma a decisão final, sublinhando que "estamos mais para votar contra do que para outro sentido de voto". Numa conferência de imprensa em Lisboa, os liberais propuseram descer o IRC para 12% para as empresas e 15% para as multinacionais, insistindo no ‘cheque-creche’.
"PS tem de decidir se é alternativa"
A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, desafiou o secretário-geral do PS a ser "alternativa ou viabilizar um Governo de direita", referindo-se ao sentido de voto que os socialistas terão no Orçamento do Estado. À entrada para uma reunião com a embaixadora da Palestina, a líder bloquista criticou que a discussão se centre na "borla fiscal a dar à EDP". "É de 40 milhões, como defende Luís Montenegro, ou é de 20 milhões, como defende Pedro Nuno Santos", sublinhou, exigindo que a empresa elétrica pague o IMI das barragens.
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