Líder do Chega considerou, por exemplo, inconcebível que um Presidente da República, no 10 de junho, "não fale do que se passou com o [antigo banqueiro] Ricardo Salgado, que teve 13 anos de pena suspensa, simplesmente, porque é o Ricardo Salgado".
O líder do Chega considerou esta quarta-feira que o discurso proferido pelo Presidente da República na cerimónia do Dia de Portugal foi pouco assertivo e muito institucional, por não falar em casos concretos da justiça ou leis laborais.
André Ventura falava aos jornalistas no início de uma ação em que assinalou o Dia de Portugal com a abertura da sede nacional do seu partido, em Lisboa.
Questionado sobre o teor do discurso proferido por António José Seguro, em Angra do Heroísmo, no final as cerimónias oficiais do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o presidente do Chega caracterizou-o como "bastante institucional", mas "pouco assertivo".
"Teve o mérito de apelar à coragem, dizendo que é preciso coragem para fazer mudanças e reformas, mas, depois, foi demasiado institucional, pouco assertivo naquilo que é preciso fazer - e às vezes as pessoas não compreendem muito bem. O país está numa fase em que ou faz as mudanças que são precisas, ou não avançará e continuaremos a ser ultrapassados", advertiu.
Para o presidente do Chega, o problema do atual sistema político "e dos políticos em geral" é falar-se em mudanças, mas, a seguir, não se dizer quais são as mudanças e quais são as decisões.
Neste contexto, apresentou uma leitura diferente de António José Seguro sobre o principal reflexo do populismo na politica nacional.
"O maior dos populismos é deixar tudo como está e o maior risco para a democracia do país é deixarmos que a corrupção continue a ter o bar aberto que tem. É deixarmos que a população continue a sentir que quem vem de fora tem mais privilégios do que quem cá está, é deixarmos que o sistema de saúde continue a degradar-se", exemplificou.
Nesse sentido, considerou inconcebível que um Presidente da República, no 10 de junho, "não fale do que se passou com o [antigo banqueiro] Ricardo Salgado, que teve 13 anos de pena suspensa, simplesmente, porque é o Ricardo Salgado".
"Outros, em condições de saúde muito difíceis, estão presos. E o Presidente da República tem de ser capaz de dizer que nós temos de ter um país em que a justiça funcione para todos", rematou.
Ainda de acordo com o presidente do Chega, os cidadãos continuam sem saber o que o chefe de Estado "pensa da descida da idade da reforma".
"É inconcebível, mas temos um Presidente da República que, ao fim de semanas e semanas, não é capaz de se pronunciar sobre isso, porque não quer perder nem uns nem outros, quer agradar a todos", acusou.
André Ventura deixou ainda um alerta sobre "políticos de plástico, que não se sabe o que pensam".
Confrontado com o facto de o Presidente da República, em matéria de reforma das leis laborais, não querer interferir no processo legislativo em curso no Parlamento, André Ventura discordou e contrapôs: "Isso não o impede de dizer se concorda ou não com a descida da idade da reforma, se concorda ou não que deve haver um teto nas pensões milionárias, se concorda ou não que temos de acabar com as subvenções vitalícias" para titulares de cargos políticos.
"O pior para a democracia é ninguém saber do que se está a falar. É estar tudo a falar do mesmo e do seu contrário", acrescentou.
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