António Dias explicou que, na origem das demissões, "que vão aumentar", estão "sérias discordâncias"
O presidente da concelhia do PS de Valença, António Dias, anunciou esta quinta-feira a demissão do cargo, acusando a Federação Distrital de "impor" o candidato à Câmara após aprovação do seu nome por 70% dos militantes locais.
"Demiti-me eu da presidência da comissão política concelhia do PS, o presidente de mesa da assembleia-geral, pelo menos dois membros do secretariado, mas ainda vão cair mais e há muitos militantes que estão a sair", afirmou hoje à agência Lusa o presidente demissionário.
António Dias explicou que, na origem das demissões, "que vão aumentar", estão "sérias discordâncias", quanto às listas que o PS vai apresentar às eleições autárquicas deste ano naquela cidade do distrito de Viana do Castelo.
Adiantou ter hoje enviado a carta de demissão e de desfiliação do PS ao líder nacional do partido, Carlos César, e garantiu que, "neste momento, serão 18 militantes que farão o mesmo".
Segundo António Dias, também se demitiu o líder do grupo socialista na Comunidade Intermunicipal (CIM) Alto Minho e presidente da comissão federativa de jurisdição do PS "em rota de colisão com o presidente da Federação Distrital de Viana do Castelo e da fação minoritária da oposição interna do PS de Valença".
Em resposta escrita a um pedido de esclarecimento enviado pela Lusa, o presidente da Federação Distrital do PS, Miguel Alves, disse "agradecer a António Dias todo o trabalho realizado no último ano como líder do PS de Valença" e desejou-lhe "o melhor para a sua vida pessoal e profissional".
"O tempo agora é de olhar para o presente e, sobretudo, para o futuro e é nesse sentido que estou a trabalhar com os militantes do PS de Valença. Apostamos forte neste concelho e estamos a preparar uma equipa para ganhar. Esse é o meu foco. Na próxima semana haverá novidades", referiu o socialista que também preside à Câmara de Caminha.
Já António Dias lamentou que, em novembro de 2020, tenha recebido o aval do Miguel Alves para avançar com a sua "carta de aceitação de candidatura" à Câmara de Valença, que, "em dezembro foi apresentada ao secretariado do partido, tendo recolhido o apoio expresso, em abaixo-assinado, de 70% dos militantes".
"Em novembro de 2020, disse-me que, por ele, o assunto estava resolvido e que podia fazer esse caminho, até porque não se apresentava nenhum putativo candidato. Já este ano, em janeiro, perante rumores de que o PS iria candidatar o deputado José Manuel Carpinteira, pedi a intervenção do presidente Miguel Alves. Foi quando me transmitiu que, quando a candidatura lhe fosse apresentada, iria preferir esse putativo candidato, nem que para isso tivesse de avocar o processo", explicou.
O presidente demissionário considerou que a decisão é "legitima, por se enquadrar nas competências" do líder distrital, mas discordou da "forma" como o processo foi conduzido.
"A forma não foi correta porque se deveria ter dado oportunidade aos militantes para, em urna, escolherem o seu candidato. É a forma mais democrática que pode haver. A possibilidade de eleições diretas foi vedada. Esse direito foi retirado aos militantes. Foi assim que o António Costa ganhou as eleições a António José Seguro. Isso gerou um mau estar terrível, e tivemos mesmo de bater com a porta, não havia outra solução", frisou.
Segundo António Dias, "no final de novembro de 2020 numa conversa entre o presidente da federação e José Manuel Carpinteira", este último terá invocado "falta de disponibilidade e vontade" para concorrer à Câmara de Valença.
"Isto é sintomático do que se vive neste concelho, desta forma de estar. A comunidade tem de estar em primeiro lugar e estas situações não podem ocorrer. Não estamos numa situação de imposições. Ninguém vem fazer um serviço à peça. Acho que deveria haver mais respeito pelas estruturas do partido e isso, infelizmente, não aconteceu.
Contactado pela Lusa, José Manuel Carpinteira, deputado do PS eleito pelo círculo de Viana do Castelo, escusou-se a falar sobre o assunto, referindo "ainda não ser o tempo".
Nas autárquicas de 2017, o PSD venceu com 57,29% dos votos e conquistou cinco mandatos. O PS atingiu 33,14% dos votos e garantiu dois lugares no executivo municipal.
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